Juros futuros em contratos curtos abrem em alta, após ata do Copom

BC também vê cenário menos claro quanto à sustentação de um firme processo de retomada do crescimento econômico externo em 2010, por conta das economias maduras

Patricia Lara, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 11h08

A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje, dá a

indicação final para que a Selic (a taxa básica de juros da economia) suba em abril. Na última reunião, houve consenso entre os membros do Copom sobre a necessidade de ajuste da taxa básica. Os diretores do BC constataram que a projeção para a inflação de 2010 estava "sensivelmente acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional", enquanto a projeção para 2011 elevou-se para acima do valor central da meta, nos cenários de referência.

 

O tom é nitidamente mais elevado que o transmitido na ata da reunião anterior em janeiro. No entanto, o BC optou pela prudência e manteve a Selic em 8,75% ao ano na última reunião, para ter uma visão mais clara do dinamismo da economia doméstica, na medida em que ainda monitora os efeitos dos estímulos à economia e do processo de retirada do apoio, que ainda é recente. O BC também viu um cenário menos claro quanto à sustentação de um firme processo de retomada do crescimento econômico externo em 2010, por conta das economias maduras.

 

O documento traz um cenário em linha com as expectativas do mercado de que a taxa sairá do patamar atual para um nível mais alto no próximo encontro, em 27 e 28 de abril. Ele foi claro ao indicar o início do processo na próxima reunião, diante do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como para reforçar a ancoragem das expectativas para a inflação. No parágrafo 30 da ata, o BC sinaliza que "a adequação do ritmo em que se dará o ajuste da Selic dependerá do cenário inflacionário prospectivo, bem como ao correspondente balanço de riscos".

 

"Isso deixa aberta a possibilidade de o ritmo de aperto começar com uma dosagem de 0,75 ponto porcentual", comentou Luciano Rostagno, da CM Capital Markets. Para a equipe de economistas do Bradesco, "o Banco Central poderá acelerar o ritmo de subida de juros em relação ao originalmente planejado ou em relação ao esperado pelo mercado."

 

Essa calibragem da dosagem conta com um dado benéfico sobre o mercado de trabalho. A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País subiu para 7,4% em fevereiro, ante 7,2% em janeiro. Mas o resultado ficou perto do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 7,50% a 8,20%, e abaixo da mediana, de 7,70%.

 

Antes da divulgação do dado de desemprego, analistas destacavam que o avanço na taxa é sazonal. Em fevereiro do ano passado, a taxa de desemprego havia ficado em 8,5%. Um ponto positivo do relatório é que a renda média real dos trabalhadores subiu 1,2% no mês passado ante o mês anterior e avançou 0,9% na comparação com fevereiro de 2009.

 

Esses números endossam a percepção dos membros do Copom de que há sinais que confirmam "a intensificação de pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores". E isso, como atesta o parágrafo 19 da ata, "aumenta a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação".

 

No exterior, o BC trabalha com uma incerteza maior que a vista em janeiro para as economias maduras, embora a trajetória de recuperação das economias emergentes prossiga, sustentando "as cotações das commodities em alta, após a correção do início do ano", observam no parágrafo 60 da ata. Hoje, o quadro externo ainda está circundado pela incerteza sobre a ajuda à Grécia e a votação do orçamento de Portugal.

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