Juros futuros fecham em alta na BM&F com ajuste pré-Copom

Mercado interpreta declaração de Meirelles como sinal de elevação da taxa Selic em 0,75 ponto porcentual

Denise Abarca, da Agência Estado,

26 de abril de 2010 | 16h53

Os juros futuros começaram a semana em alta, fruto de ajuste de posições do mercado às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na quarta-feira. Depois do vaivém das apostas nas últimas semanas, o mercado hoje ampliou as fichas na projeção de alta de 0,75 ponto porcentual para a taxa Selic em abril, que, após ter perdido terreno na semana passada, voltou a figurar como aposta majoritária na curva de juros, segundo afirmam os profissionais nas mesas de renda fixa.

 

Os principais vetores do mercado foram as declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dadas ontem durante evento em Washington, assim como chamou a atenção o salto atípico das posições compradas de pessoas físicas em contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) entre quinta e sexta-feira passadas.

 

Ao término da negociação normal, a projeção de taxa do DI com vencimento em junho de 2010 (326.445 contratos negociados hoje) subia a 9,235% ao ano, de 9,17% na sexta-feira; o DI de julho de 2010 (604.210 contratos negociados) projetava taxa de 9,518% ao ano, de 9,44% na sexta-feira; o DI de janeiro de 2011 (429.445 contratos negociados) avançava a 10,86% ao ano, de 10,73% no ajuste anterior; e o DI com vencimento em janeiro de 2012 (191.355 contratos negociados) subia a 12,17% ao ano, de 12,07% na sexta-feira.

 

Meirelles alertou os mercados para que não tentem encontrar "sinais" sobre a magnitude de uma eventual alta de juro nos relatórios e atas divulgados anteriormente pelo Banco Central. "A mensagem que eu daria aos players é de que não tentem ler nas entrelinhas do que o Banco Central disse nas atas ou no relatório de inflação (e tentem encontrar) um sinal dado por um membro ou por outro. Não há sinais", disse Meirelles à agência Dow Jones. Nos documentos mais recentes, "nós apenas expressamos o raciocínio da decisão da última reunião. Mas não demos nenhum sinal sobre se há um número versus um outro número."

 

Uma vez que os documentos recentes do Copom levaram à leitura de que o BC começaria o processo de aperto na taxa básica com um avanço de 0,5 ponto, os investidores viram nas palavras de ontem sinais de que o plano de voo original possa estar sendo abandonado em prol de uma elevação mais forte, de 0,75 ponto. Afinal, não há dúvida que a demanda doméstica está aquecida e o que se debate agora são os riscos de superaquecimento.

 

Ainda, o aumento de posições compradas em taxa de juros de pessoas físicas nas duas últimas sessões teria puxado um movimento de prevenção de perdas ("stop loss") nos DIs com vencimento até janeiro de 2012. O boletim da BM&F que informa sobre a distribuição de contratos em aberto por tipo de participante aponta um crescimento de 14 mil contratos de venda de PU - que equivale à compra de taxa - entre os dias 22 e 23 de abril.

 

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