Juros futuros fecham em baixa com possível ajuste menor da Selic

Possibilidade cresce com agravamento na crise externa afetar a demanda global por commodities

Denise Abarca, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 16h59

O cenário externo deteriorado e os sinais de desaceleração da inflação no Brasil levaram hoje a uma nova rodada de queda nos juros futuros. Além da fragilidade das economias europeias, o temor de conflito armado entre Coreia do Norte e Coreia do Sul entrou na lista dos riscos de um novo período sombrio para a economia mundial. No Brasil, um dos destaques da agenda foi o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisa (IPC-Fipe) da terceira quadrissemana de maio.

 

Ao término da negociação normal da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato futuro de depósitos interbancários (DI) com vencimento em janeiro de 2011 caía de 10,92% no ajuste de ontem para 10,86%. Já o DI com vencimento em julho de 2010 passava de 9,78% para 9,77%. O contrato futuro de DI com vencimento em outubro de 2010 estava em 10,46%, ante os 10,49% de ontem. O DI com vencimento em janeiro de 2012 recuava para 11,95%, ante os 12,03% de ontem. Por fim, o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2014 cedia de 12,30% para 12,25%.

 

A preocupação com o setor bancário na Espanha continuou retraindo os investidores, após o governo do país ter assumido o controle do banco de poupança CajaSur e de mais quatro instituições terem assinado um protocolo de intenções para fundir suas operações. A Espanha registrou hoje uma alta acentuada do yield (taxa de retorno) pago na venda de títulos do tesouro de curto prazo, para compensar os riscos detectados na economia e no sistema bancário.

 

Na Ásia, a agência de notícias Yonhap informou que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, ordenou na semana passada que o exército do país ficasse pronto para combate. A Coreia do Norte acusou a Coreia do Sul de ter ultrapassado fronteiras marítimas e ameaçou responder com uma ação militar. Na semana passada, o governo da Coreia do Sul revelou os resultados de uma investigação que concluiu que um submarino norte-coreano torpedeou um navio militar sul-coreano no dia 26 de março, perto de uma fronteira marítima disputada pelos dois países.

 

Diante da possibilidade de um agravamento na crise externa afetar a demanda global - especialmente de commodities (matérias-primas), um dos principais itens da pauta de exportação brasileira -, os investidores continuaram a retirar prêmios da curva de juros, prevendo um ciclo de aperto monetário mais brando. Nesse sentido, também ajudou o resultado do IPC-Fipe, de 0,35% na terceira quadrissemana de maio, ante 0,46% na segunda quadrissemana. O indicador veio no piso das estimativas do mercado, que variavam entre 0,35% e 0,44%.

 

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