Juros futuros fecham em queda, em sessão de volume fraco

Com agenda de indicadores limitada, a oscilação das taxas ficou atrelada à possibilidade de a crise da Europa enfraquecer a economia global

Denise Abarca, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 16h55

O movimento de alívio de prêmios persistiu no segmento de juros futuros, sendo, novamente, mais evidente nos contratos com vencimento a partir de 2011. Os contratos de depósitos interfinanceiros (DIs) com vencimentos curtíssimos permaneceram próximos dos ajustes anteriores, enquanto os de médio e longo prazos recuaram, em uma sessão de fraco volume de contratos negociados. Diante de uma agenda de indicadores restrita, a oscilação das taxas manteve-se atrelada à possibilidade de a situação delicada da Europa enfraquecer a economia global, o que dispensaria o Comitê de Política Monetária (Copom) de adotar uma postura agressiva no ciclo de contração monetária.

 

Ao término da negociação normal da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o DI com vencimento em janeiro de 2011 tinha apenas pouco mais de 117 mil contratos (117.465 contratos) e taxa de 10,92%, ante 10,93% no ajuste da sexta-feira; o DI com vencimento em julho de 2010 (108.380 contratos) projetava taxa de 9,78%, de 9,77% anteriormente; o DI com vencimento em outubro de 2010 (34.205 contratos) marcava 10,49%, de 10,50% na sessão anterior; o DI com vencimento em janeiro de 2012 (99.810 contratos) estava em 12,03%, de 12,04% no fechamento anterior; o DI com vencimento em janeiro de 2014 (10.010 contratos) projetava 12,30%, de 12,36% na sexta-feira.

 

No exterior, o destaque foi a intervenção do governo espanhol no banco de poupança CajaSur, no fim de semana, o que deixou o mercado com um pé atrás sobre uma crise no sistema financeiro na Espanha, com possíveis consequências em demais bancos da Europa. A informação manteve os mercados ressabiados pela manhã, mas uma melhora de humor se esboçava já no início da tarde, favorecida, em parte, por indicadores favoráveis da economia americana. "As taxas têm recuado mais por conta da expectativa de que os juros vão subir menos este ano. E quase não há expectativa de alta (da Selic) para 2011, pouca gente espera isso", diz Renato Pascon, gestor de renda fixa da Gradual Investimentos, lembrando que o cenário externo ainda é muito incerto.

 

O CajaSur é um banco pequeno do sul da Espanha, com 13 bilhões de euros (US$ 16,35 bilhões) em empréstimos e 0,6% do total de ativos do sistema financeiro espanhol. O Banco de Espanha disse, em nota, que o colapso do CajaSur não afetará o sistema bancário espanhol como um todo. Nos Estados Unidos, as vendas de imóveis residenciais usados subiram 7,6% em abril, superando a previsão de alta de 4,7%. O Federal Reserve de Chicago informou que o Índice Nacional de Atividade subiu ao seu nível mais elevado desde dezembro de 2006, para 0,29 em abril, de 0,13 em março.

 

No Brasil, pela manhã, a manutenção das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 e 12 meses à frente, que são os horizontes relevantes para a política monetária doméstica, na pesquisa Focus foi vista como positiva para ancorar as taxas futuras curtas perto da estabilidade. Segundo o levantamento do Banco Central, a mediana do indicador para os próximos 12 meses (suavizada) e para o ano calendário de 2011 seguiram estáveis em respectivamente 4,81% e 4,80%. Também ajudou para o clima ameno o resultado do IPC-S, divulgado pela FGV, até a quadrissemana encerrada em 22 de maio, de 0,47%, menor do que a apurada no IPC-S de até 15 de maio, quando avançou 0,64%.

 

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