Juros futuros fecham pregão em alta na BM&F

Déficit primário de R$ 216 milhões em março assusta mercado

Denise Abarca, da Agência Estado,

30 de abril de 2010 | 17h24

Os juros futuros passaram por uma rodada de altas expressivas nos principais vencimentos de contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em sessão marcada pela zeragem de posições vendidas. Vários fatores conspiraram para o estresse do mercado, com destaque para o preocupante resultado das contas públicas, que incluiu um déficit primário de R$ 216 milhões em março, o pior da série histórica para o mês. Não por acaso, os DIs de médio e longo prazos foram os mais pressionados.

 

Ao término da negociação normal da BM&F, o DI com vencimento em julho de 2010 (234.655 contratos negociados) projetava taxa de 9,68% ao ano, de 9,65% no ajuste de ontem; o DI com vencimento em janeiro de 2011 (609.410 contratos negociados) subia a 11,12% ao ano, de 11% no ajuste anterior; o DI de janeiro de 2012 (285.580 contratos negociados) subia de 12,16% para 12,31% ao ano; e o DI de janeiro de 2014 (11.295 contratos negociados) avançava de 12,47% para 12,54% ao ano. O desenho da curva mostra que o mercado já colocou no jogo as apostas de alta de 1 ponto porcentual da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e, nas seguintes, a precificação desta magnitude estaria a caminho, segundo fontes. A próxima reunião do Copom está marcada para 8 e 9 de junho.

 

Na avaliação de Paulo Petrassi, gerente de renda fixa da Leme Investimentos, os números fiscais foram muito ruins e podem representar um problema para a política monetária. "O resultado mostra que o governo, por um lado, aumenta juros, mas, por outro joga dinheiro na economia. Não adianta pensar que virão medidas fiscais em ano eleitoral", diz. O executivo lembra que a política monetária tem uma defasagem entre seis e nove meses, o que pode exigir, de fato, uma aceleração no compasso de ajuste da Selic.

 

O déficit de R$ 216 milhões em março ficou muito distante da previsão mais pessimista captada na pesquisa AE Projeções, de um superávit de R$ 2,5 bilhões. No trimestre encerrado em março de 2010, o saldo também foi o pior para primeiros trimestres, segundo o Banco Central. De janeiro a março, o superávit primário somou R$ 16,827 bilhões.

 

Entre os motores da zeragem de posições, estiveram ainda o avanço do nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da indústria da transformação, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, e a cautela com a agenda da próxima semana. O indicador, com ajuste sazonal, alcançou patamar de 85,1% em abril, após registrar 84,3% em março. Segundo a FGV, o Nuci de abril é o mais elevado desde setembro de 2008, quando atingiu 85,4%. Na semana que vem, entre os destaques da agenda estão os números da produção industrial apurada pelo IBGE em março (terça-feira), a ata do Copom (quinta-feira) e o IPCA de abril (sexta-feira).

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