Juros futuros fecham quase estáveis

O IPCA-15 de março não confirmou as expectativas de que viria perto do piso das previsões e ficou em linha com a mediana

Denise Abarca, da Agência Estado,

23 de março de 2010 | 17h40

Os contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), que projetam as taxas de juros no mercado futuro, encerraram o pregão regular desta terça-feira com as taxas próximas dos níveis de ajuste da véspera, nos contratos de curto e médio prazos, enquanto os vencimentos longos apresentaram leve baixa.

 

O IPCA-15 de março não confirmou as expectativas fomentadas ontem no final do pregão de que viria perto do piso das previsões (0,50%) ao ficar em linha com a mediana da pesquisa AE Projeções, de 0,55%, mas chegou a colocar as taxas em rota de queda na primeira parte dos negócios. Os dados de crédito divulgados hoje pelo Banco Central referentes a fevereiro foram positivos, mostrando expansão dos empréstimos, acompanhada de queda nos juros, nos spreads bancários e na taxa de inadimplência.

 

O DI futuro com vencimento em julho de 2010 (104.395 contratos negociados hoje) projetava taxa de 9,11% ao ano, estável em relação a ontem. O DI de janeiro de 2011 (269.825 contratos negociados) projetava 10,27% ao ano, de 10,29% ontem. O DI de janeiro de 2012 (166.885 contratos negociados) estava em 11,65% ao ano, de 11,67% ontem. O DI com vencimento em janeiro de 2014 (13.690 contratos negociados) recuava a 12,18% ao ano, de 12,26% ontem.

 

A taxa de 0,55% do IPCA-15 de março é bastante inferior ao nível de 0,94% de fevereiro. De acordo com a Tendências Consultoria, o movimento reflete a saída da maior parte da pressão dos reajustes das mensalidades escolares - Educação passou de 4,53% para 0,55% - e também o desempenho mais favorável do grupo Transportes (0,41% contra 0,79% no IPCA fechado de fevereiro). "A inflação só não mostra patamar mais baixo porque, já forte, a pressão dos alimentos mostra nova intensificação (1,22% contra 0,96%), acompanhando a alta de preços dos alimentos in natura e dos leites e derivados", avalia o analista Gian Barbosa, para quem o patamar bem elevado dos preços dos alimentos in natura não deve se sustentar.

 

O perfil "benigno" do IPCA-15 em termos de política monetária, no entanto, não foi suficiente para levar os contratos de curto prazo a confirmar o movimento de queda, ainda que comedido, exibido pela manhã, até o término dos negócios. Mesmo porque ontem, ao final do dia, os investidores apostavam em um indicador abaixo da mediana das estimativas.

 

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