Juros futuros ficam estáveis à espera de decisão de Meirelles

Relatório de inflação do BC, divulgado nesta quarta-feira, não teve impacto nos negócios

Olívia Bulla, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 17h27

Apesar do noticiário farto do dia para o mercado futuro de juros, as taxas projetadas pelo contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) tiveram oscilações discretas, sobretudo nos contratos de vencimento mais curtos, com os agentes à espera do anúncio da decisão do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre o seu futuro. A expectativa é de que o pronunciamento seja feito ainda hoje.

 

Ao término da negociação normal na BM&F, o DI com vencimento em maio de 2010 (9.300 contratos negociados) projetava taxa de 8,66% ao ano, estável em relação ao ajuste de ontem; o DI de julho de 2010 (78.240 contratos negociados), tinha taxa de 9,19%

ao ano, de 9,18% no ajuste ontem. O DI com vencimento em janeiro de 2011 registrava número elevado de contratos negociados (487.290), e tinha alta para 10,40% ao ano, de 10,36% no ajuste. O DI de janeiro de 2012 (155.105 contratos) estava estável, a

11,67% ao ano.

 

Os investidores iniciaram a manhã digerindo a informação de que o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, deixou o cargo por motivos pessoais e foi substituído pelo então diretor de Assuntos Internacionais, Carlos Hamilton Araújo. O novo diretor já concedeu sua primeira entrevista coletiva à imprensa nesta quarta-feira, após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação da autoridade monetária.

 

Aos olhos do mercado, o documento não trouxe novidades. "O relatório de inflação deu a mesma direção da ata da última reunião do Copom sobre a preocupação com o processo inflacionário, que desancora as expectativas para o índice de preços, colocando-as acima das metas", comenta uma analista de renda fixa de uma corretora de São Paulo.

 

O Banco Central revelou, no relatório, que trabalha com a referência de um IPCA de 2011 em 4,9%, um nível acima do projetado anteriormente (4,3%), acima do centro da meta (4,5%) e também superior ao prognóstico dos agentes do setor privado, conforme mostrou a última pesquisa Focus: 4,70%. No cenário de referência, as projeções são construídas considerando os juros constantes de 8,75% em todo o período e cotação do câmbio em R$ 1,80. Mas, no cenário de mercado, a projeção é de IPCA ainda abaixo da meta (4,4%) em 2011. Para 2010, as projeções foram elevadas e estão acima do centro da meta, em ambos os cenários (5,2%).

 

Para um operador da mesa de juros de outra corretora paulista, o relatório deixa claro que o Banco Central está mirando 2011 e que 2010 não é foco de política monetária atualmente. Por isso, segundo ele, permanece a dúvida sobre a intensidade de ajuste na taxa básica de juros, a Selic, e a extensão do ciclo de aperto monetário. "Tudo isso vai depender da decisão do Meirelles, se fica ou não", argumenta, acrescentando que a incerteza praticamente mantém os negócios travados. "Numa eventual saída (de Meirelles), o desenho do Copom não fica ruim, mas, pela primeira vez em anos, não teremos a presença de alguém ilustre de mercado na composição da diretoria", avaliou.

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