Juros futuros mantêm viés de alta

Manhã desta sexta-feira promete ser mais agitada no mercado futuro, à spera dos números do  PIB dos EUA

Olivia Bulla, da Agência Estado,

27 de julho de 2012 | 10h22

A manhã desta sexta-feira promete ser um pouco mais agitada no mercado futuro de juros, demovendo as taxas dos contratos de depósito interfinanceiros (DIs) da aparente inércia que tem marcado os negócios nos últimos dias. Isso porque em instantes serão conhecidos os números preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no trimestre passado, que podem sinalizar a iminência (ou não) de uma nova ação de estímulo econômico por parte do Federal Reserve. Por enquanto, um otimismo renovado nos mercados internacionais mantém um viés de alta na parte longa da curva, enquanto a parte curta digere as novas declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Por volta das 9h15, na BM&FBovespa, a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2014 estava em 7,79%, de 7,74% no ajuste de ontem; o DI com vencimento em janeiro de 2015 tinha taxa de 8,29%, de 8,24%; e o DI com vencimento em 2017 projetava taxa em 8,97%, de 8,92% na véspera.

Segundo um operador da mesa de renda fixa, que falou sob a condição de não ser identificado, a direção dos juros futuros hoje vai depender do resultado do PIB norte-americano. Para ele, se o número ficar abaixo do crescimento de 1,3% esperado entre abril e junho, na taxa anualizada, o efeito negativo sobre os mercados financeiros globais deve ser limitado pelas apostas de que o Federal Reserve agirá, já na reunião de política monetária da semana que vem.

"E, com isso, desfazem-se as apostas de cortes residuais nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) após agosto", afirmou o profissional, lembrando que o mercado já dá como certa uma redução adicional de 0,50 ponto porcentual no mês que vem. Porém, ele acrescentou, diante do viés desinflacionário que ficaria maior após uma eventual nova rodada de estímulo econômico pelo Fed, o chamado QE3, "as chances de uma Selic em 7,00% ficaram reduzidas" e a taxa básica de juros tenderia a ser mantida em 7,50% até o fim de 2012.

Além do Fed, também é provável que o Banco Central Europeu (BCE) dispare novas medidas, atenuando os efeitos do cenário externo sobre a economia brasileira. Segundo relatos do jornal francês Le Monde, a autoridade monetária europeia estaria planejando uma ação coordenada com países do bloco para comprar bônus soberanos da Espanha e da Itália, a fim de conter o custo do financiamento desses países. Por volta do horário acima, o euro subia a US$ 1,2315, de US$ 1,2281 na quinta-feira.

E o Banco Central brasileiro também segue vigilante, mas, para o operador citado acima, "não é capaz de sozinho, movimentar os juros futuros". Em novo discurso proferido em Londres, o comandante da autoridade monetária disse que nas próximas semanas saem reformas para ampliar a competitividade do País, que precisa ser elevada, bem como reduzir os custos para a economia real.

Ele repetiu que a economia brasileira vai acelerar ao longo do segundo semestre de 2012 e por todo o ano de 2013, após avaliar que o País já atingiu seu piso em termos de crescimento. Tombini destacou que o País receberá investimentos substanciais, principalmente em infraestrutura.

Para ele, está ganhando apoio a visão do BC de que a inadimplência entra em estabilização. Além disso, Tombini afirmou que a autoridade monetária está pronta para agir e assegurar que o mercado cambial funcione apropriadamente.

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