Juros futuros olham para mercado doméstico e sobem

Pesaram a disparada do dólar, as declarações da ministra Miriam Belchior e a piora de expectativas para a inflação

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

19 de setembro de 2011 | 16h51

O mercado futuro de juros deixou em segundo plano a piora do sentimento em relação à economia global e voltou a se pautar pelo ambiente doméstico. A disparada do dólar, que se aproxima cada vez mais de R$ 1,80, as declarações da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, de que o governo trabalha com um crescimento de 5% para a economia brasileira entre 2011 e 2014, e a piora das expectativas de inflação fizeram os investidores embutirem mais prêmios na parte longa da curva a termo. Enquanto isso, as taxas curtas ficaram perto dos ajustes, refletindo a percepção de que o quadro descrito acima não vai alterar a nova estratégia do Banco Central no curto prazo.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (103.770 contratos) estava em 11,33%, nivelado ao ajuste da última sexta-feira. O janeiro de 2013 (224.070 contratos) marcava 10,64%, de 10,63% no ajuste anterior. A partir do DI janeiro de 2014, as taxas subiam com um pouco mais de consistência, com esse vencimento em 11,01%, de 10,97% na sexta-feira, com giro de 141.145 contratos. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (60.630 contratos) subia a 11,52%, de 11,42% no ajuste, enquanto o janeiro de 2021 (19.535 contratos) avançava para 11,55%, de 11,45%.

"Há, sem dúvida, um movimento de aversão ao risco que está se refletindo na queda das commodities lá fora, mas o contraponto de tudo isso é o movimento do câmbio. O CRB (sigla para Commodity Research Bureau, índice que é referência global para as commodities) está caindo hoje em dólar, mas se formos ver a cotação do índice em real, a variação é positiva, devido ao avanço da moeda norte-americana em relação à divisa local", analisou o economista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno.

Há ainda a preocupação com a inflação corrente. O IPCA-15, que sai amanhã, e que deve ficar entre 0,44% e 0,54%, com mediana de 0,48%. Se ficar dentro desse intervalo, o número representará aceleração significativa em relação ao IPCA-15 anterior, que ficou em 0,27%. Entre os indicadores de hoje, a segunda prévia do IGP-M apontou inflação de 0,52% em setembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em agosto, a segunda prévia havia mostrado alta de preços de 0,33%. O IPC-Fipe, porém, apresentou desaceleração para 0,25% na segunda quadrissemana de setembro, ante 0,36% na primeira quadrissemana e 0,41% na segunda prévia de agosto. Diante disso, a projeção para a inflação de setembro na cidade de São Paulo foi revista pela Fipe, passando de 0,35% para 0,30%.

As declarações de Miriam Belchior, no entanto, deixaram o mercado ainda mais cético, uma vez que o crescimento de 5% citado pela ministra até 2014 dificulta o processo de convergência à meta. Lá fora, o pessimismo voltou a imperar. A reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) não trouxe nenhum consenso sobre os próximos passos do bloco para a solução da crise de dívida soberana. Pior ainda, um documento confidencial preparado por autoridades da área financeira da UE mostrou que os testes de estresse realizados com os bancos da região em julho usaram hipóteses macroeconômicas defasadas, que não refletem as graves turbulências observadas nos mercados de bônus soberanos quando essas análises foram finalizadas. Enquanto isso, as negociações entre a Troica e a Grécia sobre a liberação da próxima parcela de ajuda ao país helênico parecem estar perto de um final feliz, o que trouxe alívio para os mercados no fim da sessão.

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