Juros futuros operam estáveis em ambiente sem volume

 Investidores anteveem que a G-20 possa cunhar ações para amortecer derrocada maior da economia global

Patricia Lara, da Agência Estado, Agencia Estado

18 de junho de 2012 | 11h27

Em um ambiente de baixo volume, as taxas de juros futuras operam perto da estabilidade na manhã desta segunda-feira e adiam a esperada correção da alta de sexta-feira, com os investidores antevendo que a alta cúpula econômica mundial possa cunhar ações para amortecer uma derrocada maior da economia global. Entre esta segunda e terça-feira, ocorre a reunião de cúpula do G-20, em Los Cabos, no México, da qual participa o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega. Além disso, o Federal Reserve promove encontro terça e quarta-feira e o Eurogrupo, na quinta-feira.

Às 11h16, a taxa do contrato para janeiro de 2013 estava em 7,72%, de 7,73% no ajuste de sexta-feira. Entre os vencimentos de longo prazo, a taxa do contrato para janeiro de 2017 projetava 9,78%, de 9,79% no ajuste. O contrato para janeiro de 2021 subia a 10,40%, de 10,37% no ajuste, com apenas 10 contratos negociados até cerca de 11h20 desta segunda-feira.

"A expectativa de que o Fed agirá ou que algo poderá sair dos encontros acabou dando suporte, já que o mercado voltou a ficar nervoso com a Espanha", comentou uma fonte. A preocupação retornou com força para a Espanha e o juro projetado no papel de 10 anos do país suplantou 7%, batendo novo recorde. Dados também mostraram que os empréstimos inadimplentes dos bancos espanhóis aumentaram para o maior nível em 18 anos em abril. Nesta semana, saem os resultados dos testes de estresse dos bancos e os operadores já especulam que as instituições do país precisariam de 150 bilhões de euros para se protegerem, cifra que superaria o montante estendido pela União Europeia aos bancos espanhóis, de até 100 bilhões de euros.

Na Grécia, o partido centro-direita Nova Democracia, liderado por Antonis Samaras, e os socialistas do Pasok conseguiram juntos 162 dos 300 assentos, garantindo maioria para a esperada coalizão, algo que não tinha sido possível na eleição anterior. As negociações para a formação da coalizão começaram nesta segunda-feira.

No Brasil, a pesquisa Focus do Banco Central demonstra que piorou ainda mais as expectativas dos analistas para a expansão da economia neste ano e em 2013, enquanto as projeções para a inflação se abrandaram, mas sem a mesma intensidade. Os analistas que inserem projeções na pesquisa Focus reduziram a projeção de expansão do PIB em 2012 de 2,53% para 2,30% e de 2013, de 4,30% para 4,25%. A expectativa é que as projeções para o PIB não parem de piorar no nível de 2,30%, já que alguns bancos já trabalham com uma estimativa inferior a 2% para este ano.

Os analistas também abrandaram a previsão para inflação, mas sem a mesma virulência do corte de prognóstico para o ritmo da economia. A projeção de alta do IPCA em 2012 recuou de 5,03% para 5,00%. Para 2013, após três semanas sem alteração, a projeção caiu de 5,60% para 5,54%.

Entre os dados do dia, o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ficou em 0,28% na segunda quadrissemana de junho, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice aponta forte arrefecimento do 0,43% da quadrissemana anterior. O carros novos e os usados foram os itens que exerceram as maiores influências de baixa, já que as medidas para redução do IPI em carros novos continuam tendo impacto deflacionário em toda a cadeia do produto. Nos automóveis novos, a queda se acentuou de 2,08% na primeira quadrissemana para 3,46% na leitura divulgada nesta segunda-feira, e, entre os usados, o recuo passou de 1,36% para 2,05%.

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