Juros futuros prolongam ajuste com melhora externa e fecham em alta

Discurso de Ben Bernanke reacendeu apetite ao risco

Denise Abarca, da Agência Estado,

27 de agosto de 2010 | 17h05

A melhora do cenário externo deu respaldo para que os juros futuros prosseguissem em ajuste de alta nesta sexta-feira, novamente observada nos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) de médio e longo prazos. Os DIs curtos ficaram estáveis. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI de outubro de 2010 (60.145 contratos), estável, projetava 10,66% ao ano; o DI de janeiro de 2011 (56.530 contratos), também estável, marcava 10,69% ao ano; o DI de janeiro de 2012 (370.005 contratos) subia de 11,36% para 11,40% ao ano; o DI de janeiro de 2013 (200.300 contratos) avançava de 11,49% para 11,56% ao ano; e o DI janeiro de 2014 (45.435 contratos) tinha taxa de 11,44% ao ano, de 11,39% ontem.

 

Sem qualquer indicador a figurar na agenda doméstica, o foco do mercado voltou-se mesmo ao exterior. Segundo o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, a curva de juros oscilou de acordo com a reação das bolsas ao evento do dia que foi o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, no simpósio econômico anual de Jackson Hole. "Hoje, mais do que fatores técnicos foi o quadro externo que ditou o ritmo", afirmou. Como também as bolsas haviam caído muito nos últimos dias, o mercado viu na postura de Bernanke, mesmo que não tenha anunciado nada de concreto em relação a medidas para resgatar a economia, algum conforto. "Se fosse para anunciar algo já, ele teria de ter apresentado uma postura bem mais pessimista", avalia Rostagno.

 

As palavras do chefe da autoridade monetária reacenderam o apetite ao risco, impulsionando as ações e commodities, e provocando venda de Treasuries (títulos do Tesouro americano), que têm retornos ao investidor em alta. Bernanke afirmou que a economia dos EUA deve continuar crescendo em 2011 e nos anos seguintes, sinalizando que uma nova ação do Fed pode não ser necessária. Ainda assim, o presidente do Fed destacou que o banco central norte-americano está pronto para agir se preciso para impulsionar a economia e evitar a deflação - que ele acredita não representar um grande risco nesse momento. "Se alguma ação adicional se mostrar necessária, há opções disponíveis para oferecer estímulo adicional", afirmou Bernanke. "A utilização de qualquer uma dessas opções exige uma comparação cuidadosa dos benefícios em relação aos custos", acrescentou.

 

Ainda nos EUA, a revisão do PIB do segundo trimestre, de 2,4% para 1,6%, ficou acima das previsões dos analistas, de 1,3%.

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