Juros futuros recuam após dados de emprego e renda

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego no País caiu para 6,4% em abril, ante 6,5% em março, o que indica estabilidade

Patricia Lara, da Agência Estado,

26 de maio de 2011 | 10h05

Os contratos futuros de juros abriram o dia em baixa, apesar de contida, após a divulgação dos dados de emprego e renda na manhã de hoje. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no País recuou para 6,4% em abril, ante 6,5% em março, o que indica estabilidade. O resultado ficou em linha com a mediana das estimativas do mercado financeiro.

A taxa de desemprego é a mais baixa para um mês de abril desde 2002, o que confirma que o mercado de trabalho ainda contribui para pressões sobre os preços. Mas a inflação segue comendo o poder de compra do trabalhador, o que fica nítido na queda de 1,8% na renda média real (descontada a inflação) em abril ante março, conforme os dados do IBGE. Este número contribui para um movimento de baixa nas taxas futuras de juros, embora o segmento siga bastante suscetível a reviravoltas geradas por fatores técnicos e realinhamento de posições dos grandes investidores.

"Esse recuo de 1,8% na renda real sinaliza que a inflação continua pesando no poder de compra do trabalhador e isso deve ajudar a retirar prêmio nos juros", comentou uma fonte. Ela salientou, porém, que o fato de o mercado de trabalho seguir apertado sugere que não haverá contribuição significativa desse componente para desacelerar a inflação. Segundo cálculo dessazonalizado para a taxa de desemprego, a CM Capital Markets observou um recuo de 6,1% em março para 6% em abril.

A alta de preços no segmento de construção civil também acelerou. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Nacional de Custo da Construção - Mercado (INCC-M) subiu 2,03% este mês, mais que o dobro do resultado de abril, quando avançou 0,75%. Até maio, o INCC-M acumula alta de 4,04% no ano e de 8,18% em 12 meses.

Esses dados e outras variáveis econômicas serão debatidas hoje em reuniões promovidas pelos diretores do Banco Central (BC) com economistas do mercado. O intuito dos encontros é colher informações para a confecção do relatório de inflação. A etapa de hoje será no Rio de Janeiro e amanhã, em São Paulo. Normalmente, os encontros servem para a diretoria do BC ouvir a opinião dos economistas - e não para exposição de opiniões das autoridades monetárias.

Mais cedo, os Estados Unidos informaram que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no trimestre passado foi mesmo de 1,8%, contrariando a expectativa de que esse número seria revisado em alta para 2,2%.

No Brasil, às 9h43 (horário de Brasília), o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2012 registrava taxa de 12,34%, ante 12,35% do fechamento de ontem. Já o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,57%, ante a taxa de 12,58% do fechamento anterior.

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