Juros futuros recuam após notícias sobre Espanha

Com agenda no Brasil sem destaques neste início do dia, a decisão da agência, de colocar o rating (classificação de risco) do país em revisão para possível rebaixamento, conduz os negócios

Patrícia Lara, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2010 | 09h46

Com agenda no Brasil sem destaques neste início do dia, a decisão da agência Moody´s, de colocar o rating (classificação de risco) da Espanha em revisão para possível rebaixamento, conduz os negócios com contratos futuros de DI. A informação pode provocar inserção de prêmio nos contratos futuros de juros de prazos mais longos, repercutindo o impacto da maior aversão na demanda do investidor estrangeiro pelos contratos futuros de juros domésticos. Mas, em contrapartida, o alerta mostra que o cenário externo no primeiro semestre de 2011 deve continuar impondo desafios, o que pode postergar a elevação da taxa interna básica de juro e gerar devolução de prêmios nas pontas curtas dos futuros de juros, com eventual efeito em toda a curva.

O IPCA ponta pode contribuir para o movimento, já que na coleta diária feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) o índice trouxe arrefecimento, mesmo com o grupo alimentos e bebidas em direção ascendente. A divulgação do índice de atividade do Banco Central, às 12h30 de hoje, e o anúncio de medidas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, às 16 horas, devem repercutir na curva no decorrer dos negócios.

"A notícia traz uma perspectiva bastante negativa para o primeiro semestre. A Espanha tem um volume aproximado de US$ 50 bilhões de dívida a vencer em 2011. Só em abril há aproximadamente US$ 16 bilhões de dívida espanhola", comentou uma fonte, com base em dados recentes. O clima em torno da dificuldade de refinanciamento da Espanha deve transmitir cautela para os gestores da política monetária brasileira.

A Moody's alertou que pode rebaixar o rating de dívida do governo da Espanha, citando as necessidades de refinanciamento do governo no próximo ano e o nível geral de endividamento. O rating soberano está em Aa1, após ter sido rebaixado do grau máximo de AAA em setembro, quando a Moody´s foi a última agência de rating que passou a faca na nota de crédito espanhola.

No comunicado divulgado hoje, a agência observou que o custo para recapitalizar os endividados bancos espanhóis e o controle limitado sobre as finanças regionais dificultam a capacidade de conquista de uma melhora sustentável e estrutural das finanças governamentais. No entanto, a Moody's destaca que continua vendo a Espanha como um crédito muito mais forte do que outros países da zona do euro.

Na Suécia, o alerta sobre a Espanha não impediu o banco central do país de elevar a taxa básica de juros de 1% para 1,25% ao ano. Este foi o quarto aperto monetário, que dá continuidade ao processo gradual de normalização monetária. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) decidiu manter sua estratégia monetária, com taxa de juros próxima de zero, enquanto continua acionando a máquina de imprimir dinheiro para comprar dívida pública, o que deve injetar US$ 600 bilhões até o próximo verão.

No Brasil, o Banco Central divulga às 12h30 o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) de outubro. Segundo analistas, o índice deve começar a apresentar uma pequena melhora neste mês. No fim do dia, a partir das 16 horas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anuncia medidas em Brasília. "O setor privado tem dificuldade em ter crédito de longo prazo. Vamos facilitar a captação para que o setor privado tenha acesso a crédito de longo prazo com taxas mais baixas para facilitar os investimentos", afirmou Mantega, no último dia 10.

Às 9h39 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 11,85%, a mesma de ontem. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,23%, ante 12,27% de ontem.

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