Juros futuros recuam com fala do presidente do BC e IGP-M

Alexandre Tombini afirmou hoje que 'é preciso lidar com a bonança' e que o Brasil possui as ferramentas necessárias para manter a estabilidade monetária

Patrícia Lara, da Agência Estado,

28 de janeiro de 2011 | 10h32

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou hoje que "é preciso lidar com a bonança" e que o Brasil possui as ferramentas necessárias para manter a estabilidade monetária. Segundo ele, o País está lidando com a questão da valorização cambial e da alta da inflação. O desafio duplo oficializa um diagnóstico já feito pelo mercado financeiro, que vê desafios para se equacionar essas duas metas. Mas Tombini disse que a inflação não é um "grande problema", pois há ferramentas para se lidar com ela.

Hoje, esse efeito colateral da "bonança" tem mais uma evidência. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 0,79% em janeiro, superando a mediana das projeções (0,75%). O dado poderia dar suporte aos vencimentos mais curtos dos contratos futuros de juros, mas o discurso de Tombini deixa claro que a autoridade continuará buscando uma segunda via para não estimular o carry trade - operação que consiste na tomada de empréstimos do exterior e na aplicação de recursos no Brasil, onde as taxas são maiores, permitindo que o investidor embolse a diferença.

Com aceleração dos preços industriais e agrícolas no atacado e com os preços ao consumidor passando para a casa de 1%, o IGP-M de janeiro corrobora os sinais de persistência mais prolongada da inflação. No atacado, os preços dos produtos agrícolas subiram 1,27% em janeiro, ante 1,15% em dezembro. Os preços dos produtos industriais também aceleraram, com aumento de 0,57% em janeiro, de 0,44% em dezembro. Na cadeia que mostra a transmissão desses preços, os bens finais subiram 0,08% em janeiro, em comparação com a queda de 0,46% em dezembro. O Índice de Preços ao Consumidor - Mercado (IPC-M), um dos componentes do IGP-M, apresentou alta de 1,08% em janeiro.

O discurso de Tombini repercute declarações anteriores de seu sucessor. Henrique Meirelles afirmava que "o Brasil está pagando o preço do sucesso". Mas, durante o fim da gestão Meirelles no BC, o estouro da crise do subprime nos EUA e suas consequências amplas deram uma ajuda no quesito preços externos, o que não ocorre agora, momento de estragos climáticos e de retomada de demanda em várias partes do globo. Hoje, uma autoridade do Ministério do Comércio da China afirmou que o país vai, provavelmente, expandir suas importações de commodities cujos níveis de estoques nos armazéns do governo estejam baixos.

O mercado segue desconfortável com a ausência de coordenação do BC e da falta de clareza da autoridade monetária ao lidar com as pressões de preços. "A ata (do Comitê de Política Monetária) não atingiu o objetivo primordial de dar pistas e fazer a ancoragem das expectativas. A ata traz uma série de incertezas. Mas tudo fica em aberto", ponderou Paulo Rebuzzi, da Ativa Corretora, ressaltando que o documento foi bem escrito. Ele observa que, embora seja positiva a harmonia entre o BC e outros entes do governo, o banco é guardião da moeda e a Fazenda tem outras atribuições.

Às 9h54 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 12,44%, ante 12,48% de ontem. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,85%, ante 12,93% de ontem.

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