Juros futuros registram queda

Reação pouco entusiasmada para o pacote de soluções alinhavado para a Grécia no exterior deve ter impacto residual nos negócios

Patricia Lara, da Agência Estado,

26 de março de 2010 | 11h02

Os contratos futuros de juros abriram em baixa, em um dia ainda sem dados relevantes para o

segmento. O único ponto de interesse deve ficar a cargo da Sondagem Industrial de fevereiro, que a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A reação pouco entusiasmada para o pacote de soluções alinhavado para a Grécia no exterior deve ter impacto residual nos negócios, enquanto a decisão da Rússia de reduzir sua taxa de juros pela 12ª vez tende a ser só mais uma evidência de que o está em um ciclo diferente do registrado pelos demais parceiros do Bric (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China).

 

A pesquisa da CNI é trimestral e mostra uma avaliação dos industriais sobre o desempenho das empresas no mês, além das expectativas para os próximos seis meses. Os investidores também seguem à espera de uma decisão sobre o futuro do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, em meio ao crescimento das expectativas de que sua saída é iminente.

 

Se materializada a mudança no BC, o diretor de Normas da instituição, Alexandre Tombini, é visto como um sucessor natural. O prazo legal para desincompatibilização de cargos públicos de eventuais candidatos à eleição vai até 3 de abril. No entanto, os ministros que serão candidatos devem deixar os cargos no dia 31 de março e não mais no dia 1º de abril, como estava previsto anteriormente. Segundo informações obtidas no Planalto, a mudança atende ao calendário eleitoral e ajusta a agenda de todos, em razão do feriado da Semana Santa.

 

As expectativas sobre o retrato que a pesquisa Focus, que será divulgada na segunda-feira, trará para as perspectivas de inflação dos agentes também pode render ajustes. Segundo uma fonte, o relatório deve apresentar piora das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas não deve trazer revisão da previsão de que a Selic subirá 0,50 ponto porcentual em abril.

 

No exterior, o banco central da Rússia cortou as taxas de juros pela 12ª vez em 12 meses, em um esforço para restaurar o crescimento econômico. A taxa básica de refinanciamento foi reduzida para a mínima recorde de 8,25% ao ano, com efeito a partir de 29 de março. Além da falta de dinamismo da economia, a Rússia tem usado os cortes na taxa de juros para combater a apreciação de 24% no rublo diante do dólar no ano passado, provocada pela alta dos preços do petróleo.

 

"Estamos em ciclos totalmente diferentes", comentou um operador, descartando a influência dessa medida no cenário brasileiro de juros. Entre os Brics, enquanto a China já promoveu elevações no compulsório bancário, a Índia aumentou sua taxa básica na sexta-feira da semana passada e o Brasil está perto de uma alta da Selic.

 

Na Europa, não há animação com os sinais de que a União Europeia deu o aval para uma ajuda à Grécia, com respaldo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

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