Juros futuros seguem sem direção definida

Juro da T-Note de 10 anos sinalizava 3,7362%, de 3,795% na terça-feira à tarde em Nova York

Patricia Lara, da Agência Estado,

22 de abril de 2010 | 10h43

"O mercado experimenta uma realidade nova a cada dia". A frase de um executivo da mesa de

renda fixa de uma corretora paulista resume a inexistência de rumo do mercado de contratos de depósitos interfinanceiros (DIs) nesses dias que antecedem o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), em 27 e 28 de abril. E com base nisso, o mercado de juros futuros na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) abriu sem direção comum definida e deve seguir sem tendência clara e mergulhado na volatilidade que pontua os negócios há cerca de dez dias, em meio ao embate entre aqueles que projetam alta da taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto porcentual e a corrente que trabalha com um cenário de 0,75 ponto porcentual de aperto monetário.

 

Com a agenda esvaziada em termos de indicadores domésticos, o componente externo pesado, com aversão ao risco maior, deve ser predominante na direção. Declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista ao Grupo Estado, também estão no radar. Meirelles reiterou que o BC implementa uma estratégia de política monetária visando a assegurar a convergência da inflação para "o centro da meta no horizonte relevante, que neste caso, são os 12 meses à frente e o ano de 2011" e comentou que está havendo uma

"passionalização" do debate monetário. Esse clima passional segue refletindo a divisão do mercado entre a expectativa de alta da Selic e dita a forte gama de projeções para o ciclo total de aperto monetário no País.

 

"Além da expectativa sobre o ciclo inicial, o mercado segue discutindo a intensidade do ciclo (de aperto)", observou um operador, que prevê início da calibragem com 0,50 ponto porcentual, embora existam razões para um aumento de 0,75 ponto porcentual. "E tem um colegiado como fator de incerteza para o mercado. Não dá para ter certeza sobre os próximos passos do Copom, embora Meirelles não deva colocar em risco a credibilidade alcançada nos últimos anos", lembrou esse analista.

 

Com o feriado brasileiro de ontem, os DIs no mercado doméstico têm que se ajustar ainda ao comportamento externo, onde houve nítida piora do humor, o que leva o investidor a demandar mais prêmio para se posicionar em ativos de risco maior. Repercutindo a busca de ativos mais confiáveis, os títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) indicam preços acima de terça-feira, com correlata queda do juro projetado. O juro projetado pelo T-Bond de 30 anos, que estava em 4,668% na terça-feira, situava-se ao redor de 4,6193% nesta manhã, com investidores buscando Treasuries e ativos mais seguros em meio a discussões sobre o déficit orçamentário de países europeus. O juro da T-Note de 10 anos sinalizava 3,7362%, de 3,795% na terça-feira à tarde em Nova York.

 

E não é nada tranquila a condição na Europa. O custo de proteção contra eventual calote da Grécia, Portugal e Espanha estão em nível recorde de alta, segundo o serviço de informação financeira Markit. A alta reflete renovadas preocupações com o déficit orçamentário da Grécia, que teve o número de 2009 revisado em alta, de 12,7% para 13,6%, pela agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat. A agência disse ainda que a Irlanda teve o maior déficit na Europa no ano passado, de 14,3% do PIB, enquanto projetou o déficit da Espanha em 11,2% e de Portugal em 9,4%.

 

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