Juros futuros seguem sem direção única

A segunda prévia do IGP-M acelerou em maio, com alta de 0,95%, quase o dobro do aumento de 0,50% apurado em igual prévia do mesmo indicador em abril

Patricia Lara, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 10h28

A iniciativa unilateral da Alemanha de proibir a venda a descoberto de alguns títulos governamentais da zona do euro, de CDS ligados aos papéis soberanos da região e de 10 ações do setor financeiro alemão domina o mercado nesta manhã. E esse cenário deve gerar acréscimo de prêmio para o risco de se aplicar em contratos de depósitos interfinanceiros (DIs) e títulos públicos com vencimentos longos do Brasil, já que os investidores estrangeiros devem se retrair. Já os contratos de DIs com vencimento entre janeiro de 2011 e 2012 tendem a reduzir as taxas, descomprimindo a expectativa sobre a dosagem de aperto monetário interno. O comportamento deve ser de relativa estabilidade, aguçada pelo IGP-M e pela projeção trazida no novo índice do Banco Central.

 

Essa é a expectativa de fontes do mercado doméstico para o dia de hoje, que seguem lendo os relatórios de bancos estrangeiros sobre o impacto das medidas alemãs para conter a especulação. "O mercado externo está em um completo estado de fluxo, encontrar níveis de entrada e saída são extremamente difíceis, mas considerando a incerteza política, abordagens de valuation técnicas e com base em fundamentos não fazem muito sentido por ora". O comentário é do relatório distribuído pelo britânico Lloyds hoje sobre o mercado de renda fixa na Europa.

 

A decisão da Alemanha é unilateral. A Comissão Europeia respondeu à iniciativa, pedindo uma coordenação de tal proibição em toda a União Europeia. Na França, no entanto, a ministra das Finanças, Christine Lagarde, disse que o país não seguirá os passos da Alemanha e pediu consultas aos governos europeus e reguladores sobre a "iniciativa surpresa da Alemanha". Em um primeiro momento, o euro caiu para nova mínima em quatro anos frente o dólar.

 

Em meio às discussões sobre o impacto das medidas alemãs, uma fonte do mercado interno de renda fixa acredita que os DIs com vencimentos longos devem ser os mais sensíveis, com acréscimo de prêmio de risco. Os contratos com vencimentos curtos estão precificados para um ciclo de 3 aumentos de 0,75 ponto porcentual da Selic e mais uma dose de 0,50 ponto porcentual e tendem a ter reação mais branda aos fatos externos, enquanto digerem informações sobre a economia local. Nos médios, entre os vencimentos de janeiro de 2011 e 2012, a expectativa é de retirada de prêmios, já que se a situação europeia seguir gerando cautela e pouco apetite a ativos como commodities, a expectativa sobre um prolongamento do ciclo de aperto monetário para o primeiro trimestre de 2011 pode ser varrida do cenário.

 

E esse cenário se traduz em dados como o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). A segunda prévia do IGP-M acelerou em maio, com alta de 0,95%, quase o dobro do aumento de 0,50% apurado em igual prévia do mesmo indicador em abril, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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