Juros futuros sobem, à espera do destino de Palocci

O mercado de juros abriu o dia com o pé no freio, fazendo seu hedge de olho na eventual substituição do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e também assumindo uma posição de cautela ante a reunião do comitê de mercado aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), hoje e amanhã. Nas mesas de operações das instituições financeiras, não há nenhum receio forte em relação a uma suposta virada na economia brasileira - ao contrário, acredita-se que a condução da política econômica atual seja preservada - mas sempre se falou que uma saída de Palocci traria um estresse momentâneo aos negócios no momento em que fosse definida. É para a eventualidade desse estresse que o mercado se prepara. Os jornais e as revistas semanais, em sua maioria, vieram neste fim de semana dando como certa a saída de Palocci - e também do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. O presidente Lula deve definir hoje à tarde, em reunião com a coordenação política do governo, como fica essa questão. A imprensa também cogita nomes de substitutos, com ênfase no senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que também deve se reunir com Lula hoje. Mercadante e o presidente do BNDES, Guido Mantega, outro nome que circula como possível substituto de Palocci, não são muito do agrado do mercado, por seguirem uma linha mais desenvolvimentista, o que traz consigo, segundo operadores, o receio de uma política fiscal mais relaxada. O nome de Murilo Portugal (secretário-executivo do Ministério da Fazenda) é o preferido nas mesas. Mas em nenhum momento anterior o mercado viu a possibilidade de um desvio radical na condução da política econômica. "Quem quer que assuma o cargo vai ligar no piloto automático e seguir em frente", chegou a comentar um profissional agora cedo. Esta manhã, em Curitiba, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que a questão Palocci tem tudo para ser resolvida hoje. E que, na sua opinião, o ministro poderia continuar no cargo. Sobre a possibilidade de Mercadante substituir Palocci, o ministro disse que "leu nos jornais" sobre isso e que acha o senador "preparado". Mas é o presidente Lula quem vai resolver tudo, fez questão de destacar. Operadores disseram hoje cedo que há uma outra preocupação no mercado em torno da eventual substituição de Palocci: é sobre o quanto a oposição vai acirrar seus ataques no próprio presidente Lula. "O Palocci funcionava como um escudo de Lula; sem ele, vai ser mais difícil filtrar os ataques contra Lula", comentou uma fonte. Hoje cedo, a pesquisa semanal Focus (estimativas do mercado para os principais indicadores da economia, divulgadas pelo BC) trouxe algumas boas notícias, outras nem tanto. As projeções para IPCA deste ano tornaram a subir (de 4,55% para 4,57%), mas as de 12 meses à frente continuaram a rota de queda (passando de 4,37% para 4,32%). As projeções de IGP-M, repetindo o caminho do IGP-DI, caíram abaixo de 4%, dando mais alívio à inflação futura. A Selic para abril continua embutindo corte de 0,75 ponto porcentual e a taxa prevista para o final do ano caiu mais um pouco, de 14,38% para 14,25%. O dólar em alta esta manhã contribui para a elevação dos juros futuros. Os juros dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) também estão em alta. Sobre o FOMC, o mercado tem como certa uma elevação do juro norte-americano em 0,25 ponto porcentual, para 4,75%. As expectativas principais são para o comunicado e o que este poderá sinalizar sobre a tendência dos juros (o mercado espera pelo menos mais uma alta, em maio). Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de DI (depósito interfinanceiro) com vencimento em janeiro de 2008 projetava taxa de 14,81% às 10h15, ante 14,75% do fechamento de sexta-feira. O DI de janeiro de 2008 é o vencimento mais negociado na BM&F. O DI de janeiro de 2007 projeta taxa de 15,14% (fechamento na sexta a 15,12%). No campo da inflação, vale destacar, o destaque da semana para o mercado de juros é o relatório trimestral de inflação do BC, que deve ser divulgado até o último dia do mês. Mas hoje é a política que está no foco.

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