Juros futuros sobem antes da divulgação da ata do Copom

Mercado espera ver um documento de tom severo, que sinalize o início do ciclo de aperto monetário em abril

Denise Abarca, da Agência Estado,

24 de março de 2010 | 17h27

Nesta quarta-feira de agenda esvaziada, os juros futuros acentuaram a cautela ao final da negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), quando boa parte das projeções das taxas dos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) foi para as máximas do dia. Os vencimentos de curto e médio prazos, que apresentavam leve alta ao longo do dia, aceleraram o avanço na última meia hora, enquanto os contratos de prazos longos abandonaram o recuo e passaram a subir. O movimento foi atribuído às crescentes expectativas com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada amanhã de manhã pelo Banco Central e deverá explicar a decisão de manter estável a taxa Selic em 8,75% ao ano na semana passada.

 

A liquidez hoje foi reforçada, com o DI de julho de 2010 movimentando até as 16 horas 269.655 contratos, projetando taxa de 9,14% ao ano, de 9,11% no ajuste de ontem. O DI com vencimento em junho de 2010 (67.630 contratos negociados), o que melhor espelha as apostas para a próxima decisão do Copom, também na máxima, projetava 8,91%, de 8,88% ontem. O DI janeiro de 2011 (329.560 contratos) subia de 10,27% para 10,32%. O DI janeiro de 2012 (115.805 contratos) avançava a 11,69%, de 11,65% ontem. O DI janeiro de 2014 (10.165 contratos) estava em 12,19% (máxima), de 12,18% no ajuste anterior.

 

O mercado espera ver um documento de tom severo, que deve sinalizar  o início do ciclo de aperto monetário em abril. Um dos focos de parte do mercado, especialmente as instituições que apostavam em avanço da taxa já em março, está em saber porque o Copom optou por adiar o início do processo diante da deterioração das expectativas de inflação e dos sinais de aquecimento da demanda doméstica. Um dos argumentos esperados é o de que o governo já havia iniciado a estratégia de saída dos estímulos à economia, retirando o benefício da redução e isenção de IPI a alguns produtos e recompondo parcialmente a alíquota de recolhimento dos depósitos compulsórios, que deve enxugar R$ 71 bilhões da economia. Tais medidas possibilitariam esperar para mexer no juro, na avaliação daqueles que acertaram ao prever a manutenção da Selic em março.

 

Apesar da expectativa de uma ata conservadora, esta não deve ser capaz de colocar em gestação agora as apostas de que o processo começará com uma alta além de 0,5 ponto, o que vai depender mesmo dos próximos indicadores, sobretudo os de inflação.

 

Tudo o que sabemos sobre:
juroSelicataCopomBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.