Juros futuros sobem após dia de ajustes com Copom

Clima mais favorável no exterior, à espera de uma solução final para a Grécia, contribui para dia mais calmo

Olivia Bulla, da Agência Estado,

30 de abril de 2010 | 10h41

Após a forte alta das taxas dos contratos de depósitos interfinanceiros (DIs) com vencimentos

mais curtos ontem, os vencimentos até janeiro de 2011 podem buscar uma acomodação nesta manhã, forçando um ajuste para cima nos contratos mais longos. A agitação do mercado futuro de juros dias antes e logo depois do Comitê de Política Monetária (Copom) de abril não deve ser replicada hoje, que traz expectativa de baixa volatilidade e menor liquidez. O clima mais favorável no exterior, à espera de uma solução final para a Grécia, contribui para um dia mais calmo nos DIs.

 

"O mercado deve reavaliar suas posições hoje, mas espera por novidades e novos dados sobre a economia brasileira", comenta um operador de renda fixa de uma corretora paulista. Segundo ele, não há motivos para operar forte com DIs hoje, após os ajustes feitos até ontem, que refletem montagem de posições na aposta de um piso informal de 0,75 ponto para o próximo aumento do Copom, em junho. Até lá, os índices de inflação devem continuar mostrando aceleração de preços e a atividade pode continuar exibindo robustez, o que tende a elevar o

jogo entre os agentes.

 

Maio, porém, deve ser um mês tranquilo no que diz respeito à rolagem de vencimentos, uma vez que os contratos curtos de DIs mais líquidos referem-se a junho e julho. Com isso, o cronograma do Tesouro, anunciado ontem, também não trouxe surpresas. No mês que vem, os vencimentos somam R$ 7,7 bilhões, sendo que, deste total, R$ 7,4 bilhões são em cupom de juros de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B). A oferta total de títulos em maio estará limitada a R$ 30 bilhões.

 

Também não surpreendeu a queda de 1% da confiança da indústria em abril ante março, puxada principalmente pela diminuição no otimismo entre os empresários quanto ao futuro dos negócios. Foi a primeira redução do Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), após 14 altas consecutivas. Portanto, na opinião de um gestor de renda fixa, "caiu, mas a confiança segue em um patamar elevado". "Simplesmente parou de crescer", comenta.

 

No exterior, é grande a expectativa dos mercados para um final feliz na novela que tem a Grécia como personagem principal. Após acatar as exigências do FMI e anunciar um severo plano de austeridade fiscal, os agentes esperam um desfecho do caso para este fim de semana, quando deverão ser anunciados o formato e o tamanho do pacote de resgate financeiro ao país.

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