Juros futuros sobem com cena externa e Copom

A despeito do desconforto com os critérios utilizados nos testes, os investidores parecem ter se apegado no fato de que poucas instituições foram reprovadas

Denise Abarca, da Agência Estado,

23 de julho de 2010 | 16h29

A curva de juros futuros recompôs prêmios nesta sexta-feira, sobretudo nos contratos com vencimentos de longo prazo, amparada na combinação entre o cenário externo positivo e reação residual à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir o compasso de alta da Selic na última quarta-feira.

 

Ao término da negociação normal na BM&F, o vencimento de depósito interfinanceiro (DI) de outubro de 2010 (221.810 contratos negociados hoje) projetava 10,764%, de 10,75% ontem; o DI de janeiro de 2011 (520.220 contratos negociados) avançava de 10,88% para a máxima de 10,94%; e o DI de janeiro de 2012 (375.160 contratos negociados) estava em 11,70%, de 11,54% no ajuste de ontem; e o DI janeiro de 2014 (29.375 contratos negociados) passava de 11,93% para 11,99%.

 

A agenda de eventos econômicos foi esvaziada hoje tanto aqui quanto nos EUA, e o foco dos investidores foi voltado totalmente à Europa, sobretudo aos indicadores econômicos e o resultado dos testes de estresse com os bancos. Segundo operadores, as taxas futuras caíram muito desde antes da decisão do Copom, a níveis que atraíram compras, estimuladas ainda por indicadores favoráveis conhecidos naquele continente. Na esteira da divulgação, ontem, de que o índice dos gerentes de compra preliminar para julho subiu inesperadamente na zona do euro, hoje o mercado recebeu com satisfação a notícia de que o índice de confiança do empresariado alemão teve, em julho, o maior avanço desde a reunificação da Alemanha, em 1990, contrariando as expectativas de retração. O índice composto do instituto Ifo sobre expectativas e situação corrente subiu 4,4 pontos para 106,2 em julho. A previsão dos economistas era de queda do índice para 101,5.

 

No Reino Unido, o Escritório para Estatísticas Nacionais revelou que o PIB do país subiu 1,1% no segundo trimestre, em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Economistas previam um crescimento bem mais modesto, de 0,6% no trimestre.

 

Em relação aos testes de estresse, sete dos 91 bancos da União Europeia que foram postos à prova não conseguiram atingir uma proporção de 6% de capital Tier 1 para ativos em dois cenários básicos, informou o Comitê de Supervisores Bancários Europeus (CEBS, na sigla em inglês).

 

A despeito do desconforto com os critérios utilizados nos testes, os investidores parecem ter se apegado no fato de que poucas instituições foram reprovadas.

 

Entre os fatores domésticos, a curva longa ainda estaria sentindo o impacto da decisão do Copom de reduzir o ritmo de aperto da Selic para 0,5 ponto porcentual, avançando diante dos riscos de inflação no futuro. Nas mesas, havia, adicionalmente, comentários de uma eventual cautela com as próximas pesquisas Focus, divulgada pelo Banco Central, que podem trazer piora na mediana das projeções para o IPCA em 2011 após o Copom desta semana, uma vez que, entre os economistas, a maioria esperava por uma nova elevação da Selic em 0,75 ponto porcentual.

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