Juros futuros sobem com dólar e rumores sobre gasolina

Leilão do Tesouro ameniza avanço, incentivado por temor de possível alta dos combustíveis e efeito na inflação

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

15 de agosto de 2013 | 17h01

O avanço do dólar e dos juros dos títulos da dívida do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries, diante de indicadores melhores do que o esperado nos EUA, garantiu alta consistente para os juros futuros na primeira metade dos negócios nesta quinta-feira. O Tesouro Nacional, no entanto, ao optar por oferecer um lote menor de títulos prefixados em seu leilão tradicional, amenizou o movimento. Ainda assim, o viés de alta prevaleceu, uma vez que também pesou no mercado a preocupação com um possível reajuste dos combustíveis e seus efeitos sobre a inflação.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2014 (300.675 contratos) marcava 9,01%, de 8,98% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (483.300 contratos) indicava taxa de 10,06%, de 10,02% na véspera. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (253.765 contratos) apontava 11,45%, ante 11,41%. O DI para janeiro de 2021 (8.095 contratos) estava em 11,79%, de 11,77% no ajuste anterior.

"Se o Tesouro tivesse mantido um lote grande para o leilão de LTN, automaticamente sancionaria o avanço dos juros futuros, pois ao comprar o título público, o investidor também compraria taxa para fazer a contraparte. Como o lote foi pequeno, não houve mais compras e o investidor entendeu que o Tesouro não concorda com aquele patamar de juros", disse um operador. No leilão, em que se propunha a ofertar Letras do Tesouro Nacional (LTN) para três vencimentos e Letras Financeiras do Tesouro (LFT) para um vencimento, o Tesouro ofereceu apenas 300 mil LTN para 1/07/2015 e nenhum papel para resgate em 2017.

Comentários sobre um possível reajuste da gasolina continuam mexendo com as apostas em taxas. O Bradesco, por exemplo, revisou para cima sua projeção de alta para a inflação (IPCA) em 2013 em 0,15 ponto porcentual, passando de 5,75% para 5,90%, considerando um possível aumento no preço dos combustíveis. À tarde, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que não há novidades sobre um possível aumento dos combustíveis, mas os agentes não deram muita bola.

No mercado cambial, o dólar fechou a R$ 2,3430, com valorização de 0,86%, o que pode pressionar ainda mais a inflação. A arrancada das cotações ocorreu a despeito de o Banco Central ter promovido um novo leilão de swap cambial no qual colocou 40 mil contratos, equivalentes a US$ 2 bilhões. Além disso, o juro da T-note de 10 anos subia para 2,767%, de 2,711% no fim da tarde da véspera e após bater na máxima de 2,813% nesta sessão.

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