Juros futuros sobem com releitura de IPCA-15 e Obama

Um aumento dos negócios com contratos futuros de juros no meio da tarde acabou em alta, ainda que leve, das taxas projetadas, quando desde cedo tudo apontava para a estabilidade dos juros, à espera da decisão e do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central da reunião de hoje, no início da noite. Para analistas, o mercado fez à tarde uma releitura mais pessimista do ritmo de alta da inflação medida pelo IPCA-15 de julho, divulgado hoje pelo IBGE. De manhã a leitura havia destacado a desaceleração do índice de julho e de seus núcleos mensais. À tarde, porém, foram valorizadas as altas dos núcleos do índice em 12 meses.

Rosangela Dolis, da Agência Estado ,

20 de julho de 2011 | 16h47

Essa nova avaliação fez crescerem as apostas de que o comunicado do Copom poderá continuar a sinalizar que o aperto monetário continuará "por um período suficientemente prolongado", como constou em comunicado anterior, indo além da elevação já dada como certa de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic hoje, para 12,5% ao ano. Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets, aumentou o receio no mercado de que o Copom reafirmará a continuidade do ciclo de alta dos juros básicos (Selic) em seu comunicado hoje. E, se isso acontecer, torna-se mais provável nova elevação da taxa em agosto e até outra no encontro do Copom de outubro.

Analistas avaliam que também a afirmação do presidente norte-americano Barack Obama à tarde, de que está aberto a um acordo de curto prazo para elevar o teto da dívida do país, exerceu pressão sobre os juros. "A polêmica em torno da elevação do teto da dívida é fator de risco para a recuperação econômica global e as declarações de Obama reduziram esse risco", comentou Rostagno.

O ânimo dado por Obama somou-se à esperança que predominou desde cedo na Europa sobre a reunião de amanhã dos líderes da zona do euro resultar em um novo pacote de ajuda à Grécia.

Ao término da negociação normal na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a taxa projetada pelo DI de janeiro de 2012 (395.640 contratos negociados hoje) subiu de 12,46% no ajuste de ontem para 12,49% ao ano, o DI de julho de 2012 passou de 12,57% para 12,60% ao ano (131.330 contratos negociados) e o DI de janeiro de 2013 (172.050 contratos) avançou de 12,63% para 12,65% ao ano. Nos prazos longos, o DI de janeiro de 2017 (17.640 contratos) passou de 12,44% para 12,46% ao ano e o DI de janeiro de 2021 (1.575 contratos) fechou na máxima de 12,30% ao ano, de 12,27% ontem.

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