Juros futuros sobem com resultado positivo do varejo

Os contratos de DI futuro negociados na BM&FBovespa abriram a sessão desta quinta-feira, 12, em forte alta, reagindo aos dados acima do esperado do comércio brasileiro em julho e também à queda dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos para 292 mil, ante previsão de 330 mil.

FERNANDO TRAVAGLINI, Agencia Estado

12 de setembro de 2013 | 10h17

As vendas do comércio varejista restrito subiram 1,9% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio bastante acima do teto do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (1,2%). Quanto ao varejo ampliado, que inclui veículos e matérias de construção, as vendas avançaram 0,6% na margem, também acima do teto das estimativas (0,2%).

O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego caiu 31 mil, para 292 mil, na semana até 7 de setembro, após ajustes sazonais, informou o Departamento de Trabalho dos EUA. O resultado ficou abaixo da previsão dos analistas de 330 mil e ante 323 mil pedidos na semana anterior. Os pedidos estão no menor patamar desde abril de 2006, mas um membro do governo alertou que os números foram influenciados para baixo pela falta de informações sobre dois Estados norte-americanos.

Às 9h48, o contrato de DI para janeiro de 2015 operava em alta de 10,42%, ante 10,36% no ajuste de quarta-feira, 11. A taxa para janeiro de 2017 oscilava para 11,64%, de 11,57% na véspera. No mesmo horário, o dólar à vista no mercado de balcão estava em alta de 0,22%, cotado a R$ 2,2780. Os juros dos Treasuries estavam praticamente estáveis em 2,892% para 10 anos e 0,447 para 2 anos.

A questão fiscal também pesa novamente no mercado de juros. Segundo informação publicada ontem no Broadcast, serviço de informações on line da Agência Estado, a equipe econômica do governo avalia que uma meta fiscal equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) é capaz de manter estável a evolução da dívida pública líquida e, ao mesmo tempo, auxiliar o trabalho do Banco Central no combate à inflação. De acordo com a reportagem, na avaliação de fontes graduadas do governo, a meta prometida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de 2,3% do PIB - já inferior à oficial de 3,1% do PIB -, é de difícil cumprimento devido ao ritmo da arrecadação, embora não esteja totalmente descartada.

O mercado já trabalha com um superávit bem menor do que isso. A mediana das projeções da última pesquisa Focus indicam um esforço fiscal de 1,7% do PIB. Algumas casas consideram que o número não chegará nem a 1% do PIB. Dessa forma, uma meta de 2% não chegaria a ter impacto efetivo nos modelos dos especialistas de mercado. Mas em termos de expectativa, a mudança pode representar um recuo na posição do governo em um tema sensível aos analistas.

Além disso, o assunto está vivo na memória dos investidores desde que o Banco Central, na ata da última reunião do Copom, alterou sua visão em relação à política fiscal de expansionista para neutra, sem maiores explicações.

A agenda desta quinta-feira, 12, é extensa. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de dois eventos na capital paulista. Pela manhã, ele participa de reunião do Comitê de Estabilidade Financeira da autoridade monetária. Às 12h30, Tombini almoça com membros da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Também em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebe presidentes de bancos nacionais.

Tudo o que sabemos sobre:
juros futurosvarejo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.