Juros futuros sobem com troca de ministros

O mercado de juros começou a terça-feira pressionado, reagindo à indicação de Guido Mantega para o Ministério da Fazenda. Os juros futuros, que já tinham reagido ontem no pregão eletrônico, após o encerramento dos negócios no viva-voz, deram continuidade a este movimento na abertura. Mas desaceleraram a alta depois. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de DI (depósito interfinanceiro) com vencimento em janeiro de 2008 projetava taxa de 15,13%, às 10h10, ante 14,92% ontem. O DI com vencimento em janeiro de 2007 projetava taxa de 15,20% em comparação com 15,15% verificado no dia anterior. Mantega estava na lista dos prováveis substitutos de Palocci, mas não era bem visto pelo mercado, por seu perfil desenvolvimentista - o que costuma a ser associado, nas mesas das instituições financeiras, ao relaxamento da política fiscal. Também protagonizou alguns embates com a equipe econômica anterior e particularmente com o Banco Central (BC), pela política conservadora de juros. Em entrevista exclusiva nesta manhã à Agência Estado e Rádio Eldorado, Mantega confirmou que, no ano passado, declarou que o BC errara a mão nos juros. Mas, observou, "isso está sendo corrigido agora", referindo-se às sucessivas quedas da taxa básica de juros (Selic) nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Quanto à equipe do Banco Central, disse que sua manutenção ou não é atribuição do presidente da República, o que deixa no ar dúvidas sobre futuras mudanças nessa área. "A equipe do BC fica enquanto Lula julgar necessário", disse ele. Ele sustentou ainda sua previsão de que o PIB crescerá mais do que 4% este ano, pelo fato de os indicadores econômicos estarem fortes desde o início de 2006. Decididamente, o novo ministro dirige um discurso conciliador ao mercado, inclusive elogiando a política econômica e seus resultados para o Brasil até agora. Pela desaceleração dos juros futuros, esse discurso pode já estar tendo algum efeito, mas ainda não fez com que o mercado tirasse o pé da cautela. Prevendo, certamente, que o dia de hoje seria de volatilidade com as mudanças, o Tesouro decidiu não fazer nesta terça os tradicionais leilões de venda de títulos prefixados.

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