Juros futuros sobem de olho na Grécia

Sem dado de peso na agenda doméstica, mercado deve ficar a reboque do exterior

Patricia Lara, da Agência Estado,

23 de abril de 2010 | 10h23

O mercado de juros futuros abriu com alta nos contratos de depósitos interfinanceiros (DI) hoje, apesar da decisão da Grécia de ativar o pacote de socorro alinhavado pela União Europeia (UE) em conjunto com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que tenderia a tirar prêmio dos contratos com vencimentos longos, enquanto os contratos com vencimentos mais curtos podem responder com uma alta leve. Com nenhum dado de peso na agenda doméstica, o mercado deve ficar a reboque do exterior, enquanto aguarda a última pesquisa Focus antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A sondagem será divulgada na segunda-feira.

 

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, fez hoje o pedido formal de ativação do pacote de ajuda de 45 bilhões de euros da União Europeia (UE), em parceria com o Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmando que "chegou o momento". No exterior, a notícia repercute positivamente e favorece ativos associados a maior risco. E essa dinâmica tenderia a tirar prêmio para o risco de se investir em contratos futuros de juros internamente. Mas os ajustes devem ser comedidos.

 

Uma das travas para a retirada de prêmios é a expectativa quanto a uma revisão nos prognósticos da Selic na pesquisa Focus, com divulgação na segunda-feira. No último levantamento, para a reunião que acontece no fim deste mês, nos dias 27 e 28, analistas mantiveram a aposta de que a taxa Selic aumentará 0,50 ponto porcentual e, assim, atingirá 9,25% ao término do encontro. Nas reuniões seguintes, o mercado prevê que a tendência de

alta dos juros básicos será ainda mais forte, com duas elevações seguidas de 0,75 ponto porcentual.

 

Nos últimos dias, o mercado de DIs recebeu sinalizações de que o BC pode evitar uma puxada mais forte no início do ciclo de aperto monetário. Meirelles disse que o BC implementa uma estratégia de política monetária visando assegurar a convergência da inflação para o centro da meta no horizonte relevante que, neste caso, são os 12 meses à frente e o ano de 2011.

 

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez seu papel e disse que a economia do País está aquecida, mas não superaquecida, enquanto afirmou que é preciso acabar com a paranoia de ter de subir os juros. Também assegurou que será cumprida a meta de inflação em 2010 e 2011.

 

No único dado interno do dia, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ficou em 0,76% até a quadrissemana encerrada em 22 de abril, taxa menor do que a apurada no IPC-S anterior, referente à quadrissemana finalizada em 15 de abril, de 0,80%.

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