Juros futuros sobem de olho na Selic a 11% em 2011

Relatório Trimestral de Inflação deixou claro que a intenção do BC, no momento, não é a de intensificar os cortes da Selic para além do 0,5 ponto porcentual

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

29 de setembro de 2011 | 17h02

Se o Relatório Trimestral de Inflação não convenceu o mercado de que o IPCA, o índice oficial da inflação, convergirá para o centro da meta de 4,5% em 2012, pelo menos deixou claro que a intenção do Banco Central, neste momento, não é a de intensificar os cortes da Selic para além do 0,5 ponto porcentual adotado na reunião de agosto. Com isso, a percepção de que o juro básico terminará 2011 em 11% cresceu e provocou avanço das taxas projetadas pelos DIs. Aqueles que apostavam na possibilidade de um ajuste mais profundo da Selic reviram suas posições e os juros de curto prazo subiram, ainda que de forma moderada. Os longos reagiram, momentaneamente, à aprovação pela Alemanha das mudanças na Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), mas encerraram o dia sem uma posição definida.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (278.380 contratos) estava em 11,18%, nivelado ao ajuste. O DI janeiro de 2013 marcava 10,47%, de 10,41% na véspera, com giro de 476.340 contratos. O DI janeiro de 2014 (98.870 contratos) subia a 10,88%, de 10,82% no ajuste. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (30.050 contratos) indicava 11,33%, ante 11,34%, e o janeiro 2021 (1.490 contratos) permanecia nivelado ao ajuste, em 11,35%.

A quase certeza do mercado sobre a manutenção do ritmo de corte da Selic veio do trecho do Relatório em que a autoridade monetária diz que "o Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, ajustes moderados no nível da taxa básica são consistentes com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012". "Pelo que o BC informou, uma aceleração do ritmo de corte só ocorrerá se houver uma piora muito grande do ambiente externo", frisou um operador.

O documento também trouxe projeções de mais inflação e menor crescimento em 2011. O banco revisou a previsão de expansão do PIB de 2011 de 4% para 3,5% e trouxe projeções mais altas para a inflação deste ano. No cenário de referência que considerou câmbio de R$ 1,65 por dólar e Selic em 12,00%, o BC elevou a previsão de IPCA de 5,8% para 6,4% em 2011, mas revisou a previsão de IPCA no final de 2012 em baixa, de 4,8% para 4,7%. O documento reitera o cenário do relatório de junho, que pressupunha a convergência para a meta só no segundo trimestre, mas o BC ajustou hoje a previsão para 4,5% no segundo trimestre de 2013.

Entre os indicadores domésticos, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de setembro, que subiu de 0,44% em agosto para 0,65% em setembro, segue mostrando os desafios do BC no controle de preços.

E apesar da relativa tranquilidade do governo no cumprimento da meta de superávit primário para 2011, os números do Governo Central não foram dos mais animadores. O resultado primário, que inclui Tesouro, Previdência e Banco Central, foi de R$ 2,490 bilhões em agosto, segundo o Tesouro Nacional. O desempenho foi o pior para meses de agosto desde 2003, quando o superávit do Governo Central ficou em R$ 2,48 bilhões.

Lá fora, a aprovação pelo Parlamento da Alemanha das mudanças da EFSF trouxe apenas um otimismo moderado e momentâneo aos mercados. O Parlamento do Chipre também aprovou as alterações no fundo europeu. Com as bolsas europeias já fechadas, as norte-americanas viraram para o terreno negativo ao longo da tarde e contribuíram para segurar o avanço dos DIs longos.

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