Juros futuros sobem em dia de decisão sobre Selic

Potencial alta de 0,50 ponto porcentual da taxa básica de juros, de 10,75% para 11,25% ao ano, já está embutida nos preços, mas há prêmios adicionais na curva

Patricia Lara, da Agência Estado,

19 de janeiro de 2011 | 09h52

Os contratos futuros de juros abriram em alta no Brasil, no dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) informa a primeira decisão, no governo Dilma Rousseff, sobre a Selic (a taxa básica de juros da economia). O mercado futuro de DI começa o dia dividido entre dar sequência à correção do excesso da elevação dos prêmios das últimas sessões ou defender os níveis atuais. A potencial alta de 0,50 ponto porcentual da Selic, de 10,75% para 11,25% ao ano, já está embutida nos preços, mas há prêmios adicionais na curva.

Para devolução desses prêmios, investidores e analistas argumentam que o novo Banco Central (BC), agora sob o comando de Alexandre Tombini, precisaria ser mais assertivo, em seu comunicado e na ata do encontro, sobre a determinação para redirecionar a inflação para o centro da meta. O estabelecimento dessa credencial anti-inflacionária seria importante para evitar uma ampliação do diferencial de taxas projetadas entre os DIs. A dúvida recai sobre esta determinação.

"Copom com 0,50 ponto porcentual, um comunicado enfático e a ata na mesma linha serão importantes para mostrar que o BC seguirá agindo com autonomia. Em cenário oposto, a curva irá para a lua", comentou um executivo da mesa de renda fixa. Um comunicado enfático sobre a determinação pode amarrar a desconfiança dos investidores sobre a escapada da inflação de sua meta em 2011 e evitar o alargamento dos diferenciais de taxas de juros entre os DIs. Embora o centro da meta de 4,50% seja considerado um alvo difícil, o mercado teme que uma eventual posição mais hesitante em relação às diretrizes monetárias coloque a perder o teto da meta, de 6,5%.

"Enquanto um aumento de 0,50 ponto porcentual nesta quarta-feira é provável, a perspectiva é menos clara. Na verdade, consideramos que o mercado precificou muitos aumentos, com a expectativa de que a Selic irá para 13,20% até o fim do ano", comentam Douglas Smith e Mike Moran, estrategistas do banco Standard Chartered.

A elevação da Selic em 0,50 ponto porcentual é a aposta majoritária de 61 das 64 instituições ouvidas pelo AE Projeções nesta retomada do ciclo de aperto monetário, interrompido em setembro do ano passado. A falta de clareza sobre o ciclo total de aperto monetário depende dos gastos públicos. A conta do enxugamento do dinheiro liberado na máquina pública só deve vir em fevereiro, como sinalizou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

No único dado de inflação divulgado hoje, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) desacelerou em janeiro, com alta de 0,63%, abaixo da taxa de 0,75% apurada em igual prévia de dezembro. O resultado, anunciado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou dentro das estimativas dos analistas, que esperavam elevação entre 0,50% e 0,65%. A mediana das expectativas estava em 0,60%. Na coleta diária de preços de produtos que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador acelerou de 0,60% para 0,65% ontem, de acordo com fontes que tiveram acesso ao dado divulgado reservadamente pela FGV.

Às 9h49 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 12,44%, ante 12,41% do fechamento de ontem. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,73%, a mesma do fechamento anterior.

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