Juros futuros sobem por dados internos e dólar

As taxas tiveram ganhos consistentes, sobretudo as de contratos mais curtos

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

26 de setembro de 2013 | 17h02

As taxas futuras de juros tiveram avanço consistente nesta quinta-feira, 26, influenciadas por fatores domésticos e externos. Chamou atenção, contudo, a alta dos juros mais curtos, que andavam travados nos últimos dias em virtude da leitura de que o Banco Central subiria a Selic em 0,50 ponto porcentual em outubro, podendo repetir a dose em novembro ou reduzi-la para 0,25 ponto porcentual.

De terça-feira, 24, para quarta, 25, no entanto, a taxa do CDI subiu 10 pontos-base, o que provocou ajustes na taxa dos contratos de DI para janeiro de 2014. Além disso, o desemprego abaixo do piso das estimativas e a alta do dólar e dos juros dos Treasuries (títulos da dívida do Tesouro dos EUA) ajudaram a puxar para cima todos os vencimentos.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2014 (692.325 contratos) marcava 9,30%, de 9,24% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2015 (387.785 contratos) indicava taxa de 10,15%, ante 10,04% na véspera. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (177.140 contratos) apontava 11,38%, de 11,24%. A taxa do DI para janeiro de 2023 (6.780 contratos) estava na máxima de 11,93%, ante 11,79% no ajuste anterior.

Logo cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego em agosto atingiu 5,3%, ante 5,6% em julho e o piso de 5,4% encontrado pelo AE Projeções nas estimativas do mercado financeiro. O número já traria viés positivo para os juros, mas a alta incomum da taxa do CDI, de 8,70% para 8,81%, acabou amplificando o movimento dos juros curtos, uma vez que os investidores têm que fazer ajustes em suas carteiras, segundo um operador.

O dólar, por sua vez, seguiu em alta, o que deu sustentação ao avanço dos juros, sobretudo intermediários e longos. A moeda dos EUA sofre influência de uma série de fatores, entre os quais a percepção de que o BC não quer a divisa abaixo de R$ 2,20. Além disso, a disputa entre comprados e vendidos para a formação da taxa Ptax pressionou o dólar para cima. Por fim, a moeda dos EUA operou em alta também no exterior, influenciando o mercado doméstico. O dólar à vista no balcão fechou cotado a R$ 2,2460, com valorização de 0,85%.

No exterior, alguns números positivos da economia dos EUA, reforçando a percepção de que o Fed pode reduzir os estímulos em breve, declarações de membros da instituição e a tensão envolvendo a questão fiscal norte-americana acabaram puxando os juros dos Treasuries. O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego, por exemplo, caiu para 305 mil na semana até 21 de setembro, após ajustes sazonais. Analistas esperavam que o número ficasse em 330 mil. Assim, a taxa do T-note de 10 anos marcava 2,648% às 16h40 (horário de Brasília), de 2,619% no fim da tarde de quarta-feira.

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