Juros futuros sobem puxados pelo IPCA-15

Prévia da inflação oficial apresentou taxa de 0,76% em janeiro e superou o teto das previsões de analistas, que era 0,75%

Patricia Lara, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2011 | 10h16

Os contratos futuros de juros abriram o dia em alta, sob a influência do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador apontou inflação de 0,76% em janeiro e superou o teto das previsões dos analistas (0,75%). O IPCA-15 também ficou acima dos patamares registrados nas coletas diárias do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse quadro deve reorientar o mercado futuro de juros hoje, antes que a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que será apresentada amanhã, module as expectativas sobre o processo de elevação da Selic (a taxa básica de juros da economia) e a utilização das medidas macroprudenciais para conter a inflação.

"Só a ata cura", comentou Paulo Petrassi, da Leme Investimentos, que reforçou a percepção de que não sobra outra opção ao Banco Central (BC) a não ser vir com um discurso duro na ata da reunião do Copom. "O índice sobrecarregou a ata e amplia a pressão sobre (Alexandre) Tombini", completou.

No fim da segunda-feira, no entanto, rodavam em algumas mesas de operações a expectativa de que o IPCA-15 de janeiro poderia ficar na casa do 0,80%, o que não se confirmou. Isso pode limitar o avanço das taxas de juros em alguns vencimentos de contratos futuros. No entanto, a variação de 0,76% deixa o ambiente propício para os investidores cobrarem mais prêmios nos contratos de DI e nos títulos públicos.

No IPCA-15, o aumento de 1,77% nas tarifas de ônibus urbano foi destaque. Segundo informou o IBGE, a alta foi o maior impacto individual no mês, com contribuição de 0,07 ponto porcentual na taxa do índice geral em janeiro (de 0,76%). Alimentos e bebidas tiveram taxa de crescimento de preços menos acelerada, passando de 1,84% em dezembro para 1,21% em janeiro. Mesmo assim, com 0,28 ponto porcentual de contribuição, os produtos alimentícios foram responsáveis por 37% do IPCA-15 do mês.

Na coleta diária dos itens que compõem o IPCA, o índice apresentou alta de 0,67% no dia 25, após aumento de 1,10% do grupo alimentos e bebidas, segundo informou uma fonte que tem acesso ao monitor divulgado reservadamente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Sob o impacto das chuvas, as hortaliças e verduras reverteram a queda de 1,43% para uma alta de 8,57% e as frutas, de deflação de 1,16% para inflação de 3,93%.

No contexto global, seguem emergindo comentários e dados sobre as preocupações com os preços das commodities. Ontem, o Ministério das Finanças de Taiwan informou que planeja reduzir as tarifas de importação de trigo e farinha de trigo em 50% nos próximos seis meses, como medida para fazer frente ao impacto do aumento global dos preços dos alimentos para os consumidores domésticos. O exterior tem uma manhã de altas nas bolsas e nas commodities agrícolas, na esteira do sucesso do primeiro leilão de bônus da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e do discurso do Estado da União, feito pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

No Brasil, às 10h00 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 12,45%, ante 12,42% de segunda-feira. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,81%, ante 12,77% de segunda-feira.

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