Juros futuros sobem sob influência de prévia da inflação e Grécia

IPCA-15 de junho avançou 0,23% e ficou próximo das estimativas de analistas; no exterior, predomina a expectativa de aprovação ao governo grego

Rosangela Dolis, da Agência Estado,

21 de junho de 2011 | 10h01

Os contratos futuros de juros abriram o dia em alta, sob influência das expectativas positivas com a Grécia e de certa resistência da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de junho, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA-15 de junho subiu 0,23% e ficou muito próximo do teto (0,24%) das expectativas dos analistas do mercado financeiro. No exterior, predomina a expectativa de que o primeiro-ministro grego, George Papandreou, consiga o voto de confiança do Parlamento para prosseguir com as reformas necessárias à obtenção de novo socorro financeiro.

A desaceleração da inflação medida pelo IPCA-15 foi forte, considerando o dado de 0,23% em junho e a alta de 0,70% em maio. Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumula taxas de inflação de 4,10% no ano e de 6,55% em 12 meses até junho.

Já a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou deflação em junho, de 0,21%, após apresentar inflação de 0,66% em igual prévia do mesmo indicador em maio. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que esperavam uma taxa entre -0,50% e 0,02%.

Na Europa, o destaque hoje é o voto de confiança ao qual o governo do primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, será submetido no Parlamento do país. A decisão será importante porque os ministros de Finanças europeus decidiram que os gregos somente receberão a próxima parcela do pacote de resgate de 110 bilhões de euros oferecido no ano passado se os parlamentares de Atenas aprovarem as novas medidas de redução dos gastos públicos. Se o Parlamento declarar apoio ao governo de Papandreou, haverá um empecilho a menos para a aprovação do aperto fiscal.

Na avaliação de analistas e investidores internacionais, Papandreou deve conseguir o voto de confiança do parlamento para prosseguir com as reformas necessárias à obtenção de novo socorro externo. O raciocínio que leva a essa expectativa é o de que, se o voto de confiança não passar, a situação colocará a Grécia à beira de um default (não pagamento de dívida). Isso porque Papandreou terá que convocar eleições antecipadas, o que derrubaria a chance de aprovação das medidas de austeridade adicionais exigidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a liberação de mais ajuda financeira.

Boas notícias quanto à crise europeia vieram da Ásia. A China reiterou hoje apoio de Pequim aos países debilitados da zona do euro. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hong Lei, disse que o país está disposto a dar suporte para o crescimento da Europa. O Japão, preocupado com o potencial impacto dos problemas financeiros europeus sobre a economia japonesa, que é dependente das exportações, seguiu no mesmo caminho. O ministro de Finanças japonês, Yoshihiko Noda, afirmou que seu país vai aumentar os empréstimos para a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês).

No Brasil, às 9h51 (horário de Brasília), o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2012 registrava taxa de 12,43%, ante 12,42% do fechamento de ontem. Já o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,53%, ante 12,49% do fechamento anterior.

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