Juros futuros têm menor pressão mas mantêm cautela

O mercado futuro de juros iniciou o dia ainda ressabiado com os estragos de ontem, depois que o núcleo do índice de preços ao consumidor nos EUA (CPI) veio acima das previsões (0,3%, contra previsão de 0,2%). O índice mais alto desencadeou uma onda negativa pelos mercados mundiais, reacendendo o temor com a inflação nos EUA e com a continuidade do processo de aperto monetário pelo Fed (o banco central dos Estados Unidos). Esta manhã, no entanto, as taxas do depósito interfinanceiro (DI) futuro na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) de prazos mais longos mostravam apenas uma leve alta, tendendo à estabilidade. O juro do título norte-americano de 10 anos recuava para 5,123% ao ano, contra os 5,153% em que estava no fechamento dos mercados ontem em Nova York. Se o alívio vai ser consistente, isso é dúvida. Os mercados domésticos continuarão sendo dirigidos pelo cenário externo. Além de indicadores norte-americanos, pronunciamentos do presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), Ben Bernanke e do secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, estarão no foco das atenções. Ambos os pronunciamentos acontecerão no mesmo horário (10h30), sendo o de Bernanke na conferência do Fed de Chicago (sobre estruturas bancárias e concorrência), e o de Snow no Comitê de Bancos do Senado, em Washington (sobre as práticas cambiais dos principais parceiros comerciais dos EUA). É bem possível que, novamente, Bernanke nada comente sobre economia dos EUA ou política monetária, mas de toda a forma os mercados estarão atentos. Por volta das 9h30, nos EUA, foi divulgado o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana até 13 de maio, com crescimento de 42 mil, para 367 mil, contrariando a previsão dos analistas (que era de 319 mil pedidos, 5 mil a menos do que na semana anterior). O nível de pedidos de auxílio-desemprego foi o maior em sete meses, refletindo principalmente, o fechamento parcial das atividades do governo em Porto Rico, um território invadido pelos EUA e mantido sob controle norte-americano, durante a crise orçamentária. O problema, que já terminou, provocou uma ampliação, extraordinária, de 46 mil no número de pedidos. Sem o efeito desses pedidos, o nível teria declinado em relação à semana anterior, o que sugere que as condições do mercado de trabalho seguem favoráveis. Dos indicadores ainda a serem divulgados hoje nos EUA, os mais importantes são o índice dos indicadores antecedentes da economia referente a abril, da Conference Board (às 11 horas de Brasília) e o índice de atividade regional de maio, do Fed de Filadélfia (às 13 horas). Hoje tem leilão de títulos prefixados do Tesouro, mas a grande volatilidade vista ontem deve ter ajudado a derrubar a demanda, que já não devia ser robusta. Segundo operadores, o Tesouro deve ter constatado isso, a ponto de ofertar volume menor do que o da semana passada. O Tesouro ofertará 4,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) de três vencimentos e 600 mil Notas do Tesouro Nacional da série F (NTN-F) de dois vencimentos. No leilão da semana passada, o Tesouro ofertou 7 milhões de LTN (o volume de NTN-F foi o mesmo, 600 mil). Pela manhã, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe da segunda quadrissemana de maio, que ficou em 0,08%, igual ao apurado na primeira quadrissemana. O resultado veio no piso das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado (de 0,06% a 0,19%, com mediana em 0,13%). Mas não deve ter reflexo significativo nos negócios hoje. As cartas continuarão sendo dadas pelo comportamento dos mercados lá fora. Às 10h12, a projeção do juro do DI com vencimento para janeiro de 2008 estava em 15,06% ao ano, contra 15,03% ontem.

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