Juros futuros têm tendência de queda

Inflação medida pelo IGP-M perdeu força este mês, ao atingir 0,94%, após apresentar taxa de 1,18% em fevereiro

Patricia Lara, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 11h01

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) confirmou a desaceleração esperada pelos

economistas, o que pode aguçar a devolução de prêmios na curva de juros a termo. No entanto, os dados podem ser ofuscados por outros fatores. Um deles é a decisão do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que tem encontro marcado nesta tarde com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião pode acabar com o suspense sobre seu destino, mas o mercado já está pronto para receber sua saída.

 

Outro fator é a informação, ainda extraoficial, de que a Vale fechou com a Sumitomo Metal um aumento de quase 90% nos preços do minério de ferro no período entre abril e junho deste ano. Os analistas calculam o impacto dessa alta para o comportamento futuro dos preços industriais e sua influência na inflação ampla, diante da incerteza sobre o momento dos aumentos locais e sobre se há espaço para uma alta desta magnitude no Brasil.

 

Está marcado para as 15 horas o encontro de Meirelles com Lula para definir seu futuro político. A expectativa é de que Meirelles saia como candidato ao Senado por Goiás para, posteriormente, tentar se lançar candidato a vice-presidente na chapa da pré-candidata do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ontem à noite, ao ser lembrado de que hoje seria o último prazo recomendado pelo governo para Meirelles tomar uma decisão, Lula respondeu: "Tem muito tempo ainda, meu filho. Para mim, 24 horas é um tempo infinito."

 

Enquanto esperam a definição, os investidores se debruçam sobre as planilhas para cálculo do impacto dos aumentos de matérias-primas para a inflação. Segundo fontes, há sinais de que está cada vez menos usual o sistema anual de fixação de preços do minério de ferro, que durava 40 anos. A Sumitomo Metal Industries, a terceira maior siderúrgica japonesa, concordou em pagar entre US$ 100 e US$ 110 a tonelada métrica da commodity a partir de quinta-feira, o que embutiria um aumento de 90% para o minério.

 

Vale lembrar que o minério de ferro vai ganhar mais peso no atacado no âmbito dos Índices Gerais de Preços (IGPs). Conforme divulgado anteriormente, no próximo mês ocorrerá a utilização de novas ponderações para os produtos pesquisados no atacado. Com isso, o peso do minério de ferro vai aumentar de 1,06% para cerca de 2,5% a partir de abril. "Nos meses de abril e maio, o reajuste no preço do minério de ferro deve ser captado pelos IGPs. Como o peso do minério de ferro no cálculo da inflação do atacado vai ser maior, é possível que este produto tenha mais destaque no resultado do indicador, nos próximos meses", comentou o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

 

Alguns fatores ampliam a dificuldade sobre o cálculo. Os analistas econômicos ainda não sabem como será o repasse de aumentos do minério de ferro para o mercado doméstico, que possui uma característica diferente. Algumas siderúrgicas brasileiras têm acesso direto ao minério de ferro. Além disso, a Vale, assim como outras mineradoras, não tem o poder de fogo que utilizam nas negociações de minério de ferro com as japonesas, que não possuem acesso direto a commodities.

 

Para completar, o carvão e o coque têm peso maior nos custos de algumas siderúrgicas brasileiras. Isso pode trazer pressões mais significativas, já que boa parte do produto é importada. O retrato mais claro sobre a influência desses insumos virá nos próximos meses. A temporada de reajuste no preço do aço brasileiro começa em abril.

 

Ontem, o presidente da Frefer, segunda maior distribuidora independente de aço do País, Christiano da Cunha Freire, revelou que as siderúrgicas já definiram um cronograma de aumento, que começa com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no dia 1º de abril. A Usiminas programou elevar seus preços em 11 de abril e a ArcelorMittal Brasil fará o anúncio no dia 15 de abril, segundo Freire.

 

Hoje, a FGV informou que a inflação medida pelo IGP-M perdeu força este mês, ao atingir 0,94%, após apresentar taxa de 1,18% em fevereiro. O resultado ficou muito perto da mediana das projeções (0,93%) dos analistas.

 

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