Juros futuros terminam em queda

 Índice acelerou para 0,19% na terceira quadrissemana de julho, ante alta de 0,12% no levantamento anterior

Denise Abarca, da Agência Estado,

26 de julho de 2010 | 16h28

A semana começou com os juros futuros em queda, atribuída a ajustes após os níveis considerados exagerados a que foram elevados na última sessão, uma vez também que a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central (BC) não confirmou a expectativa de piora das medianas da inflação.

 

Ao término da negociação normal da BM&F, o vencimento de depósito interfinanceiro (DI) de outubro de 2010 (109.865 contratos negociados hoje) estava na mínima de 10,75%, de 10,76% no ajuste anterior; o DI de janeiro de 2011 (244.070 contratos negociados) caía de 10,94% para 10,89% (mínima); o DI de janeiro de 2012 (156.205 contratos negociados) cedia de 11,70% para 11,61% (mínima) ; e o DI de janeiro de 2014 (12.885 contratos negociados) projetava 11,94%, de 11,99% no ajuste de sexta-feira.

 

Na avaliação do operador de renda fixa do Banco Modal Luiz Eduardo Portella, os patamares a que foram alçadas as taxas estavam deslocados da perspectiva de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve traçar um cenário mais tranquilo para a inflação na ata a ser divulgada na quinta-feira, para justificar a desaceleração do ritmo de aperto monetário agora em julho. Ele também lembra que, no pregão anterior, o mercado estava imbuído de uma certa cautela com o que poderia vir da Focus.

 

Na sexta-feira, parte da elevação dos DIs foi atribuída ao risco de que, após o Banco Central sancionar a previsão de uma pequena minoria dos economistas das instituições financeiras, elevando a Selic (taxa básica da economia) em 0,5 ponto porcentual, houvesse uma correção para cima nas medianas de IPCA em 2011 e/ou no horizonte 12 meses à frente na pesquisa Focus. No entanto, o levantamento mostrou que a mediana de IPCA 12 meses à frente cedeu de 4,96% para

4,93%, enquanto a mediana para 2011 permaneceu em 4,80%. A mediana do indicador para 2010 recuou 5,42% para 5,35%.

 

No Grupo Top 5, das instituições que mais acertam as previsões, a expectativa de IPCA 2011 tombou de 5,16% para 4,70%, bem mais perto do centro da meta de inflação de 4,5%. Para o IPCA 2010, a expectativa desse grupo passou de 5,32% para 5,25%.

 

Em relação à Selic, a Focus mostrou um esperado ajuste na mediana para o final de 2010. A previsão cedeu de 12% para 11,75%, que é o patamar esperado para a taxa também ao final de 2011.

 

Entre os indicadores domésticos, o mercado foi surpreendido pela divulgação do IPC-Fipe da terceira quadrissemana de julho, que estava prevista somente para amanhã. O índice acelerou para 0,19% na terceira quadrissemana de julho, ante alta de 0,12% no levantamento anterior. Uma falha de sistema da Fipe antecipou o anúncio para a imprensa e assinantes do serviço da fundação. Estes assinantes passaram a transmitir o resultado da apuração aos clientes no mercado financeiro no início da tarde. Ao ser informado pela Agência Estado de que havia ocorrido o vazamento, o coordenador do IPC, Antonio Evaldo Comune, optou pela autorização da divulgação dos dados pela imprensa.

 

No exterior, dados positivos sobre o setor imobiliário dos EUA e a elevação das projeções da FedEx para seus ganhos parecem ter apagado o desconforto com o resultado dos testes de estresse dos bancos europeus, impondo trajetória de alta a ações e commodities.

Tudo o que sabemos sobre:
jurosBM&FSelicFocusCopom

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.