Juros futuros terminam o dia com leve viés de alta

Após terem devolvido prêmios ao longo da sessão, os contratos futuros de juros de curto e médio prazos perderam força de queda à tarde e fecharam com leve viés de alta nas projeções, nas máximas, mas perto da estabilidade, a negociação normal da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Operadores atribuíram o movimento final à divulgação do resultado robusto da arrecadação da Receita Federal em janeiro e também à redução de posições por parte de estrangeiros dada a piora do cenário externo. Até então, davam o tom aos negócios o IPCA-15 de fevereiro, que, como o mercado já esperava, ficou bastante acima dos níveis anteriores, e a queda surpreendente nas vendas do varejo em dezembro ante novembro, apurada pelo IBGE.

Denise Abarca, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2010 | 17h25


O contrato futuro de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 (311.180 contratos negociados hoje) projetava taxa de 10,36% ao ano (máxima), de 10,34% no ajuste de ontem; o DI de julho de 2010 (90.040 contratos negociados) avançava a 9,23% ao ano (máxima), de 9,21% ontem. O DI de janeiro de 2012 (107.525 contratos negociados) tinha taxa de 11,47% ao ano (máxima), de 11,44% ontem.

 

De acordo com o IBGE, o IPCA-15 de fevereiro subiu 0,94%, ante alta de 0,52% em janeiro, e ficou perto da mediana de 0,93% da pesquisa AE Projeções, cujo intervalo ia de 0,83% a 1,02%. O destaque de alta foi o grupo Educação (+4,55%), que contribuiu com 0,32 ponto porcentual no resultado geral.

 

O que surpreendeu mesmo foi a redução de 0,4% nas vendas no varejo em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal, segundo o IBGE. Mesmo defasado, o número sugere que o aquecimento da demanda não está tão forte quanto o imaginado, o que pode dar tempo extra para que o Banco Central decida mexer na taxa Selic (juro básico da economia).

 

A leitura das vendas no varejo e o IPCA-15 dentro do esperado fez estancar o movimento visto ontem no mercado, de avanço das apostas de alta da Selic em março, mas também é prematuro afirmar que estes investidores mudaram de opinião. Os números dão argumentos para quem prevê aumento do juro tanto em abril quanto em março e o resultado é um quadro ainda dividido das apostas nas mesas de operação.

 

Dessa forma, o recuo nos contratos de curto prazo foi considerado modesto, tendo perdido em boa medida o fôlego na sessão vespertina. Mesmo porque, à tarde a Receita Federal informou que a arrecadação no mês passado ficou em R$ 73,027 bilhões, recorde para meses de janeiro. "Para a arrecadação, estamos fora da crise", resumiu o coordenador geral de estudos, previsão e análise da Receita Federal, Raimundo Eloi de Carvalho.

 

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