Juros longo fecham em alta

Correção teve respaldo no noticiário doméstico sem destaque e do cenário externo menos turbulento nesta segunda-feira

Denise Abarca, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 16h42

O mercado futuro de juros começou a semana promovendo um ajuste técnico, recompondo um pouco os prêmios dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) retirados nos últimos dias, quando a expectativa de um ajuste menor da taxa Selic nos próximos meses ganhou adeptos. Os contratos de DI de curto prazo encerraram perto da estabilidade, enquanto as projeções dos contratos de longo prazo de vencimento subiram. A correção teve respaldo no noticiário doméstico sem destaque e do cenário externo menos turbulento nesta segunda-feira.

 

Ao término da negociação normal da BM&F, o DI de outubro de 2010 (380.645 contratos negociados) estava em 10,855% ao ano, de 10,85% no ajuste anterior; o DI de janeiro de 2011 (685.660 contratos) passava de 11,06% para 11,05% ao ano; o DI de janeiro de 2012 (165.515 contratos negociados) subia de 11,64% para 11,73% ao ano; e o DI de janeiro de 2014 (13.945 contratos negociados) subia de 11,96% para 12,05% ao ano.

 

Os DIs com vencimento próximo mostraram correção limitada pela movimentação em torno da decisão do Copom na quarta-feira. Segundo operadores, a curva de juros mostra um mercado dividido nas apostas entre uma nova elevação de 0,75 ponto porcentual da taxa Selic e uma alta menor, de 0,5 ponto. A possibilidade de uma desaceleração no ajuste da Selic, atualmente em 10,25% ao ano, já este mês embalou na semana passada, amparada nos números de inflação mais fracos no Brasil, na bateria de dados decepcionantes da economia norte-americana e no arrefecimento de indicadores de atividade na China. A curva a termo, segundo operadores, precificava aumento de 0,61 ponto porcentual do juro básico na

reunião desta semana.

 

A oscilação do quadro nas mesas de operação contrasta com o pensamento dominante entre os economistas, que seguem mais cautelosos. De acordo com a pesquisa Focus divulgada hoje pelo Banco Central, a mediana das projeções para a Selic este mês permaneceu em 11% e para o final de 2010 e de 2011 também não houve mudanças, com as medianas de Selic nos mesmos 12% e 11,75%. Ainda na pesquisa, a estimativa para o IPCA em 2010 teve uma ligeira queda, de 5,45% para 5,42%, enquanto a mediana deste indicador de inflação ao final de 2011 continuou em 4,80%. No horizonte 12 meses à frente, um dos mais importantes para a política monetária, a projeção suavizada avançou de 4,90% para 4,96%, na terceira alta consecutiva.

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