Juros longos caem à espera de EUA e Europa

 Investidores aproveitam para embolsar parte dos ganhos verificados no fim da semana passada

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

31 de julho de 2012 | 17h17

As taxas dos contratos futuros de juros oscilaram pontualmente na manhã desta terça-feira mas fecharam o dia em queda, em especial nos vencimentos mais longos. À espera das reuniões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE), quarta-feira e na quinta-feira, respectivamente, os investidores aproveitaram para embolsar parte dos ganhos verificados no fim da semana passada. No Brasil, os dados desta terça-feira não foram capazes de influenciar de forma consistente os DIs.

Ao fim da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (113.745 contratos) marcava 7,38%, ante 7,39% do ajuste de ontem. A taxa do DI para janeiro de 2014 (372.580 contratos) estava em 7,85%, ante 7,84% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (75.390 contratos) tinha taxa de 9,02%, na mínima, ante ajuste de 9,09%, e o DI para janeiro de 2021 (9.995 contratos) marcava 9,59%, na mínima, ante 9,68%.

"Os mercados estão em compasso de espera", resumiu o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira. Segundo ele, os investidores aguardam as decisões de política monetária nos EUA e na Europa. Dependendo do que for anunciado, os ajustes no mercado de juros podem ser mais consistentes. "Se os BCs não encontrarem espaço para novos pacotes, pode ocorrer uma queda vertiginosa nas taxas. Por outro lado, se um pacote convencer o mercado, os ativos reais sobem bastante e os juros tendem a dar uma bela corrigida."

O estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno, destacou que a leve baixa das taxas de juros nesta terça-feira, em especial nos vencimentos mais longos, está ligada à realização de lucros antes das reuniões do Fed e do BCE. "Os DIs estão com ligeiro viés de queda porque o mercado prefere realizar um pouco antes das reuniões. É uma oportunidade para embolsar os ganhos e esperar para ver se o Fed vai adotar alguma medida."

Por enquanto, conforme Rostagno, a curva a termo segue precificando de forma majoritária um corte de 0,50 ponto porcentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do fim de agosto. Para o encontro de outubro, as taxas mostram divisão de apostas, com uma predominância para a manutenção. "São cerca de 65% para a manutenção da Selic em outubro e 35% para corte de 0,25 ponto", comentou. Embora estas probabilidades variem de acordo com o cálculo feito, outros profissionais do mercado atestam que, para outubro, as apostas se concentram na perspectiva de manutenção da Selic.

Nesta terça-feira, os dados divulgados pelo Tesouro e pelo Banco Central não fizeram preço. Segundo o Tesouro, o governo central (tesouro, Previdência Social e Banco Central) teve superávit de R$ 1,272 bilhão em junho, uma queda de 28,8% ante maio e abaixo do piso das projeções do mercado (R$ 1,750 bilhão). Já o BC informou que o superávit primário do setor público consolidado somou R$ 2,794 bilhões em junho, abaixo da mediana de R$ 6,130 bilhões projetada pelo mercado. O superávit primário representa a economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública.

No primeiro semestre, o setor público consolidado cumpriu, conforme o Banco Central, 47% da meta estipulada para 2012, de R$ 139,8 bilhões. Ou seja, pouco menos da metade, enquanto no ano passado o porcentual cumprido havia chagado a 61% da meta no meio do ano.

O superávit primário menor, porém, foi minimizado pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. "A trajetória (das contas públicas) em 2012 é diferente da do ano passado", disse. "Já temos uma perspectiva de sinais de retomada do crescimento no segundo semestre. Já começamos a ver os sinais em julho. Aguardem os próximos números."

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