Juros longos caem por diretores do Fed e dados internos

Falas de 2 executivos do banco central dos EUA e dados internos levaram as taxas às mínimas na hora final de negócios

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

24 de junho de 2013 | 17h26

Declarações de dois diretores do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e indicadores internos fizeram as taxas de juros testarem sucessivas mínimas na hora final dos negócios desta segunda-feira, 24.

Enquanto o presidente do Fed de Minneapolis, Narayana Kocherlakota, defendeu a adoção de "gatilhos" para determinar as compras de bônus, o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, defendeu as palavras de Ben Bernanke na última semana, mas disse que uma saída do relaxamento monetário nos EUA ainda está longe. Isso aliviou um pouco as preocupações iniciais com a China.

Ao mesmo tempo, no Brasil, a Receita Federal anunciou que a arrecadação de maio ficou quase no teto de projeções e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que em maio houve redução na alta do indicador de produção industrial em relação ao mês anterior.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (72.610 contratos) estava em 8,48%, de 8,57% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2014 (144.565 contratos) marcava mínima de 9,00%, ante 9,16% na sexta-feira. O vencimento para janeiro de 2015 (263.500 contratos) indicava taxa de 10,06%, ante 10,50%. Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (137.475 contratos) apontava mínima de 11,06%, ante 11,56% na sexta-feira. O DI para janeiro de 2021 (8.665 contratos) estava em 11,32%, de 11,75%.

"Acredito que as palavras de Fisher pesaram mais. Ele citou que a recuperação da economia continuará lenta e pode estar dizendo que os mercados estão exagerando em seus movimentos", afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno.

O alívio no exterior fez com que o dólar ante o real também passasse a cair com mais intensidade no meio da tarde. Como o mercado de juros tem andado de forma similar ao do câmbio, o recuo da divisa dos EUA no Brasil ajudou na queda das taxas de juros domésticas. Hoje, o dólar à vista no balcão caiu 0,89%, cotado na mínima do dia, a R$ 2,2240.

No noticiário interno, a arrecadação de impostos e contribuições pela Receita Federal alcançou R$ 87,858 bilhões em maio, recorde para o mês e um aumento real de 5,8% (com correção da inflação pelo IPCA) frente a um ano atrás. A recuperação da arrecadação, em tese, favoreceria a melhora da política fiscal.

A Sondagem Industrial da CNI, em uma escala na qual valores acima de 50 pontos significam crescimento, ficou em 51,1 pontos em maio, abaixo do verificado em abril, quando chegou a 52,8 pontos.

Pela manhã, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ficou em 0,37% na terceira quadrissemana de junho, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas. O resultado ficou 0,06 ponto porcentual abaixo do registrado na segunda quadrissemana do mês, quando subiu 0,43%.

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