Juros mantêm rota de baixa em dia de Copom

Mercado segue preparado para ver nova queda de 0,50 ponto porcentual da Selic, que passaria de 8% para 7,5% ao ano

Patricia Lara, da Agência Estado,

29 de agosto de 2012 | 10h34

As taxas futuras de juros abriram em baixa neste dia decisório do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O mercado segue preparado para ver nova queda de 0,50 ponto porcentual da Selic, que passaria de 8% para 7,5% ao ano, nesta reunião e não há vetor que justifique mudança dessa expectativa. Mas os investidores seguem alinhando posições com base nas expectativas para o próximo encontro do Copom e a tendência de baixa das taxas curtas mostra que o mercado está propenso a acreditar que o BC vai manter aberta a possibilidade de novo corte de juros em outubro.

Às 10h10, a taxa projetada para janeiro de 2013 indicava 7,23%, de 7,26% no ajuste, com giro de 112.690 contratos. No janeiro de 2014, a taxa recua de para 7,78%, de 7,82% no ajuste.

No dia, a queda das bolsas europeias e alta dos spreads dos bônus espanhóis no mercado secundário são parâmetros de pressão, sobretudo, para a curva longa de juros, que no entanto, mostra estabilidade. A taxa do janeiro de 2021 indicava 9,76%, de 9,77% no ajuste.

Os yields (retorno ao investidor) dos bônus da Itália e da Espanha subiram para o maior nível em duas semanas, à medida que os investidores abrem espaço para um novo papel de 10 anos italiano e depois de a Catalunha se tornar a terceira região autônoma espanhola a pedir ajuda do governo central. O yield dos bônus espanhóis de 10 anos avançou para 6,52%, o maior patamar desde 16 de agosto. O yield dos bônus italianos de 10 anos atingiu 5,85%, o nível mais alto desde 14 de agosto.

No Brasil, o Copom pode ou não entregar nesta quarta-feira alguma sinalização para o encontro de outubro. Os analistas que argumentam a favor de uma indicação de novo alívio monetário em outubro citam a fragilidade externa e os dados desequilibrados da economia brasileira como justificativas. No bloco defensor de uma parada técnica, o argumento principal é a inflação.

Pesquisa feita pelo AE Projeções mostrou que analistas estão divididos em relação ao encontro de outubro. De acordo com pesquisa do AE Projeções com 74 instituições do mercado financeiro, 34 casas previram que a taxa de juros terminará 2012 na marca de 7,5%, após o corte de 0,50 ponto porcentual previsto para hoje. O AE Projeções capturou ainda que 20 casas aguardam a Selic em 7,00% no fim do ano; 19 no nível de 7,25%; e apenas uma em 7,75% - o Banco de Ribeirão Preto, que vê o encerramento da sequência de baixas neste mês de agosto, só que em forma de queda de 0,25 ponto.

No exterior, o clima defensivo perdura enquanto os investidores seguem no aguardo do pronunciamento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no dia 31, no simpósio de Jackson Hole. Divulgado nesta quarta-feira, o PIB dos EUA cresceu a uma taxa de 1,7% no 2º trimestre, acima da taxa divulgada anteriormente (1,5%). O dado, que confirmou a previsão dos analistas, foi impulsionado pelo comércio, o que reflete a importância da política de manutenção de um dólar desvalorizado para estimular as exportações norte-americanas. Mas a melhora do consumo doméstico e dos gastos governamentais também influenciaram.

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