Juros mantêm viés de queda com tensões das economias local e externa

Movimento teve origem nas preocupações com Espanha e revisões para baixo de estimativas de indicadores domésticos

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

18 de junho de 2012 | 16h46

O mercado de juros futuros experimentou mais um dia de queda das taxas. E esse movimento teve como origem as preocupações com a situação da Espanha e as revisões em baixa de uma série de estimativas para indicadores domésticos. Na visão de operadores, o fato de o mercado projetar uma inflação mais comportada acompanhada de uma taxa Selic também menor é um forte aliado do Banco Central no que diz respeito à ancoragem das expectativas. O alívio com o resultado das eleições na Grécia, por sua vez, foi passageiro e os mercados continuam titubeantes.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (115.875 contratos) estava em 7,71%, de 7,73% no ajuste. A taxa projetada pelo janeiro de 2014 (151.230 contratos) indicava 8,05%, de 8,09% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (35.280 contratos) apontava mínima de 9,72%, ante 9,79%, enquanto o DI janeiro de 2021 (1.525 contratos) também marcava mínima, de 10,29%, ante 10,37% no ajuste.

Por enquanto, o mercado de juros precifica mais uma redução de 0,5 ponto porcentual da taxa básica em julho, mas ainda se mostra dividido (entre corte de 0,25 pp e 0,50 pp) em relação à reunião de agosto. Enquanto isso, a Focus desta segunda-feira mostrou que os analistas projetam mais dois cortes consecutivos de 0,5 pp, com a Selic terminando agosto e o ano em 7,50%. Além disso, os analistas reduziram a projeção de expansão do PIB em 2012 de 2,53% para 2,30% e em 2013, de 4,30% para 4,25%. A previsão para o IPCA em 2012 recuou de 5,03% para 5,00%. Para 2013, após três semanas sem alteração, a projeção caiu de 5,60% para 5,54%.

O único dado de inflação divulgado nesta segunda-feira o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) ficou em 0,28% na segunda quadrissemana de junho, de 0,43% da quadrissemana anterior.

Lá fora, a despeito de o partido conservador Nova Democracia ter vencido as eleições na Grécia e, juntamente com o Pasok, ter alcançado maioria no parlamento para formar um governo de coalizão, as tensões prosseguem. O foco de preocupação, na verdade, retornou para a Espanha. A situação já não era das mais confortáveis, mas o fato de a autoridade monetária espanhola ter informado que os empréstimos inadimplentes dos bancos do país atingiram 8,72% do total de créditos do sistema em abril - maior patamar em 18 anos - fez os yields dos bônus da Espanha superarem 7%. Vale lembrar que este nível é considerado insustentável pelos agentes.

Pelo menos no mercado de juros local, os investidores também não parecem dispostos a se arriscar às vésperas de dois encontros importantes, o que justifica a liquidez relativamente baixa desta segunda-feira. Em Los Cabos, no México, os líderes do G-20 estarão reunidos até amanhã. Na quarta-feira, haverá reunião de política monetária do Fed e os recentes indicadores de atividade ruins nos EUA despertam a esperança de pode haver uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo.

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