Juros recuam após ata do Copom

Além de observar reversão nas perspectivas para a inflação, os diretores do Copom afirmam que o mercado parece mais ajustado em suas previsões, com diminuição da dispersão dos cenários

Denise Abarca, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 09h54

A primeira leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) deixou no mercado a impressão de que caiu muito a probabilidade de que o ajuste da Selic (a taxa básica de juros da economia) se prolongue além de setembro. Os mais otimistas veem grandes chances de o ajuste já ter sido encerrado em julho. O texto detalhou o que trouxe o comunicado da reunião sobre o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário, destacando que a economia tem se deslocado para trajetória condizente com equilíbrio, recuos nas projeções de inflação, viés desinflacionário na influência do cenário externo, entre outros pontos.

 

"As perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis, a rigor, em compasso menos intenso do que observado no início deste ano", cita a ata no parágrafo 19. Para sustentar a avaliação, os diretores do BC

lembram que dados sobre comércio, estoques e produção industrial evidenciam essa percepção. Sobre o quadro externo,

o texto cita que "nos mercados internacionais, embora ainda elevadas, a volatilidade e a aversão ao risco recuaram desde a última reunião do Comitê e a percepção de risco de crise sistêmica mostrou arrefecimento".

 

O documento menciona as persistentes preocupações com dívidas soberanas de países europeus, dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação da economia americana e indícios de desaceleração na China. Assim, o BC reafirma que "aumentou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica, conquanto persista incerteza sobre o comportamento de preços de ativos e de commodities em contexto de substancial volatilidade nos mercados financeiros internacionais".

 

Além de observar reversão nas perspectivas para a inflação, os diretores do Copom afirmam que o mercado parece mais ajustado em suas previsões, com diminuição da dispersão dos cenários. "A esse respeito, cabe mencionar que, tanto para 2010 como para 2011, houve redução significativa na dispersão das expectativas para a inflação plena; bem como nas próprias expectativas para a inflação de preços livres - o componente mais sensível e que mais rapidamente responde às ações de política monetária", ressalta o texto.

 

"A ata foi clara, parece que o ciclo está mesmo perto do fim, caiu muito a chance de ir até outubro", avaliou o economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano. Após uma primeira leitura, o economista acredita ser bastante provável que o processo de contração monetária seja fechado na próxima reunião, mas a dúvida é sobre se virá 0,5 ponto ou apenas uma alta residual de 0,25 ponto. Em boa medida, na avaliação de Serrano, deve pesar nesta calibragem o comportamento do quadro externo. Mais cedo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de julho, que ficou em 0,15%, ante 0,85% em junho.

 

Às 10h40 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2011 era de 10,82%, ante o fechamento de 10,83% de ontem. Já o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava taxa de 1,55%,

ante 11,56% do fechamento anterior.

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