Juros recuam após resultado de vendas no varejo

Números do setor vieram dentro do esperado, mas situação fiscal dos EUA ainda preocupa

Renata Pedini, da Agência Estado,

13 de dezembro de 2012 | 10h49

As taxas futuras de juros iniciaram a quinta-feira perto da estabilidade, após o comércio varejista mostrar resultado dentro do esperado das vendas em outubro na comparação com setembro. Porém, apresentam viés de baixa, diante do cenário internacional. A preocupação com a situação fiscal dos Estados Unidos deixa os investidores na defensiva.

Por volta das 10h30, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,06%, ante 7,08% no ajuste de quarta-feira (12); o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 7,57%, de 7,60% na véspera; e o DI para janeiro de 2016 marcava 8,11%, de 8,13% no ajuste anterior. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,43%, de 8,48% e o DI para janeiro de 2021 apontava 9,17%, de 9,23%.

A equipe da Lerosa Investimentos atribui o movimento ao crescimento das vendas no comércio varejista "em linha com as previsões" e ao ligeiro viés de queda do cenário externo. "O mercado externo abre com ligeiro viés de queda, com o impasse nas negociações acerca do ''abismo fiscal'' americano ainda pairando como ameaça", diz, em relatório.

As vendas do varejo restrito subiram 0,80% no período, na série com ajuste sazonal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado coincidiu com a mediana das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções. As projeções iam de 0,20% a 1,70%.

Na comparação com outubro do ano passado, as vendas do varejo restrito tiveram alta de 9,10% em outubro deste ano. Nesse confronto, a mediana das projeções era de 9,00%.

As vendas do ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 8,00% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal, pouco acima do teto das estimativas (7,70%). Na comparação com igual mês de 2011, a alta foi de 14,50%, também superior ao teto das previsões (13,40%).

No exterior, o alerta do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, sobre o abismo fiscal dos EUA retrai os mercados acionários, antes da divulgação dos resultados do varejo norte-americano em novembro.

Na quarta-feira (12), o Fed informou que manterá a taxa básica de juros em níveis historicamente baixos até pelo menos 2015 e disse que os Fed Funds só voltarão a subir quando a taxa de desemprego baixar para 6,5%, desde que a inflação anual fique em, no máximo, 2,5%. Ben Bernanke salientou que a capacidade do banco central dos Estados Unidos em fornecer ajuda à economia não é ilimitada. Ele disse ainda que se o país cair no abismo fiscal, a economia será prejudicada de maneira que o Fed não pode controlar, e pediu que o Congresso faça "a coisa certa".

Por outro lado, na Europa, a Grécia recebeu aprovação final para desembolso de 49,1 bilhões de euros nesta quinta-feira. A informação foi divulgada pelo chefe do grupo de ministros das Finanças da zona do euro (Eurogrupo).

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