Juros recuam em semana de Copom

Para setembro, a Focus mantém a estimativa de alta de 0,75 ponto porcentual, enquanto as mesas de operação estão posicionadas entre 0,50 e 0,25 ponto

Marisa Castellani, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 10h08

A espera pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima quarta-feira, já está marcada por dúvidas desde a semana passada, quando foi quebrado o consenso de que a Selic (a taxa básica de juros da economia) teria alta de 0,75 ponto porcentual. O mercado, agora, está dividido entre essa hipótese e a de uma alta mais branda, de 0,50 ponto porcentual, com cerca de 50% de chances para cada uma.

 

Os dados de atividade global - especialmente nos Estados Unidos, que vêm contrariando as expectativas mais otimistas - e de ritmo da economia no Brasil, além do arrefecimento da inflação doméstica, levaram o mercado a repensar toda a curva de juros, o que resultou em cortes expressivos dos prêmios dos contratos futuros de DI. É grande a expectativa envolvendo a decisão do BC e o posicionamento mais adequado para aguardá-la.

 

O último dado importante a ser divulgado antes do Copom é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de julho, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anuncia amanhã. Este poderá ser mais um fator a mexer com as apostas. O IPCA fechado do mês passado não teve variação e as expectativas para o IPCA-15 estão também em

torno de zero. Até quarta-feira, os EUA divulgarão dados do mercado imobiliário, outro importante termômetro para se medir a recuperação da economia norte-americana e que costuma mexer com os mercados. Hoje será divulgado o índice

de sentimento das construtoras em julho.

 

Mais cedo, a Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) revelou uma inflação com sinais de acomodação. O Índice

de Preços ao Consumidor (IPC) da segunda prévia de julho ficou em 0,12%, apenas levemente mais alto que o 0,10% do levantamento anterior. Na segunda quadrissemana de junho, o indicador havia avançado 0,03%. O resultado ficou dentro das estimativas apuradas pelo AE Projeções, que variavam de 0,10% a 0,19%. Porém o IPC-Fipe foi mais um indicador a ficar abaixo da mediana esperada (de 0,15%).

 

A pesquisa Focus do BC, por sua vez, pareceu atrasada em relação às apostas nas mesas de operação de juros, refletindo mais a posição dos economistas, que ainda são firmes em apontar alta de 0,75 ponto porcentual na Selic esta semana. Para setembro, a Focus mantém a estimativa de alta de 0,75 ponto porcentual, enquanto as mesas de operação estão posicionadas entre 0,50 e 0,25 ponto.

 

No exterior, o começo do dia é ameno, com alguma dose de cautela. Notícias da Irlanda e da Hungria não foram capazes de inibir a alta, ainda que modesta, das principais bolsas europeias ou dos índices futuros de Nova York. A Moody's rebaixou os títulos da dívida do governo da Irlanda em uma nota, de Aa1 para Aa2, mas elevou a perspectiva, de negativa para estável. Já a Hungria não conseguiu chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE) para continuar acessando uma linha de crédito auxiliar recebida em 2008.

 

No Brasil, os primeiros negócios do dia indicavam mais uma rodada de queda - desta vez, leve - nas taxas dos contratos futuros de DI mais líquidos.

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