Juros sobem à espera de testes de estresse

Para o mercado de juros brasileiro, os resultados podem implicar efeitos diretos na curva dos contratos futuros de juros com prazos longos

Marisa Castellani, da Agência Estado,

23 de julho de 2010 | 10h03

O foco do mundo financeiro está hoje nos resultados dos testes de estresse dos bancos europeus, que serão divulgados a partir das 13 horas (horário de Brasília). Segundo pesquisa do banco Goldman Sachs com investidores, encerrada 24 horas antes da divulgação oficial dos resultados, 10 dos 91 bancos europeus avaliados devem ser reprovados. Entre eles, segundo a pesquisa, estarão principalmente bancos espanhóis e gregos.

 

Muita atenção está reservada para os testes de estresse. Se forem considerados fora da realidade, no sentido de serem brandos demais, a pior consequência será a perda de credibilidade. Oficialmente, já foi garantido por um membro conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE) no começo do mês que os cenários não contemplarão situações de default (calote) soberano. Transparência e detalhamento também serão fundamentais para a credibilidade. A divulgação dos resultados será, sobretudo, um teste da confiança dos investidores. Ela pode renovar as esperanças de um ritmo melhor para a recuperação da atividade global ou, se os resultados forem ruins, pode jogar os ânimos no chão.

 

Para o mercado de juros brasileiro, os resultados podem implicar efeitos diretos na curva dos contratos futuros de juros com prazos longos. Operadores lembram que, desde o agravamento da crise na Europa, os contratos de taxas de juros de prazos mais longos começaram a devolver prêmios, na medida em que uma recuperação muito lenta da atividade global significaria menor pressão externa para a inflação no Brasil. Portanto, diferenças na leitura sobre o ritmo de atividade global têm potencial efeito sobre a curva.

 

Na agenda brasileira, o único dado de interesse para o mercado de juros já foi divulgado. O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) de até 22 de julho mostrou novamente deflação, de 0,14%, bem próxima da deflação registrada na medição anterior (queda de 0,13%). Este é mais um índice de preços na trajetória de outros divulgados antes dele, que registraram deflação ou desaceleração forte da alta. Tudo dentro do cenário de riscos inflacionários mais brandos que levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a aumentar em 0,50 ponto porcentual a Selic (a taxa básica de

juros da economia), reduzindo o ritmo de altas.

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