Juros sobem à espera do Copom

Mercado está dividido entre alta de 0, 50 ponto porcentual e 0,75 ponto porcentual

Marisa Castellani, da Agência Estado,

21 de julho de 2010 | 09h58

A sorte está lançada no mercado futuro de juros. Hoje, no começo da noite, termina o suspense em torno da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic (a taxa básica de juros da economia), atualmente em 10,25% ao ano. Se for confirmada a aposta majoritária das mesas de operação, a taxa deve aumentar 0,50 ponto porcentual. No entanto, se prevalecer a aposta dos economistas das instituições financeiras, a alta será de 0,75 ponto porcentual.

 

Também não há consenso sobre se o placar da decisão será dividido. A única certeza é de que, qualquer que seja a alta para a Selic definida hoje à noite, amanhã haverá uma boa mexida no mercado futuro de juros, para realinhamento de posições. Se a alta for de 0,75 ponto porcentual, o ajuste de posições será mais forte.

 

No curto espaço de uma semana - basicamente a partir da terça-feira passada, quando foram divulgadas dados sobre as vendas do varejo em maio -, as taxas projetadas pelos contratos futuros de DI recuaram. De um consenso inicial de alta de 0,75 ponto porcentual para a Selic neste mês, o mercado se dividiu e passou a trabalhar majoritariamente com a hipótese de elevação menor, de 0,50 ponto porcentual.

 

A produção industrial em maio, que ficou estável em relação a abril, já havia semeado as dúvidas no começo deste mês sobre a necessidade de um aperto monetário tão forte. Foram decisivos para a virada das apostas os dados sobre vendas do varejo em maio e a deflação de 0,09% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de julho, divulgada ontem.

 

Entre os economistas, também foi quebrada a unanimidade, mas prevalece a aposta de alta de 0,75 ponto porcentual na Selic. Sondagem atualizada ontem pelo AE Projeções, com 64 instituições, mostra que 56 casas apostam na alta de 0,75

ponto, enquanto oito esperam a elevação de 0,50 ponto.

 

No exterior, a agenda tem o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, falando às 15 horas no Congresso norte-americano. Na Europa, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, está reunido com os executivos-chefes dos maiores bancos da região, para discutir os testes de estresse, cujos resultados serão divulgados oficialmente na sexta-feira.

 

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