Juros sobem após dados do varejo

Mesmo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de fevereiro indicando uma alta expressiva ante janeiro, segundo informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda das vendas do varejo em dezembro colocou um obstáculo para a alta dos juros. No início da sessão, os contratos futuros de juros abriram em baixa.

Patricia Lara, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2010 | 10h38

 

Hoje, o mercado deve reduzir o prêmio para a elevação da Selic (a taxa básica de juros da economia) em março. Mas os investidores podem ver nesta queda uma oportunidade de entrada e uma reversão do movimento não está fora do jogo.

 

As vendas do varejo mostraram que o aquecimento da atividade não está com a velocidade esperada por alguns analistas. Em pleno Natal, as vendas do comércio varejista caíram 0,4% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal, segundo informou o IBGE. Na comparação com dezembro de 2008, as vendas do varejo aumentaram 9,1%.

 

Já o índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista, considerado principal indicador de tendência, registrou alta de 0,6% em dezembro de 2009, mostrando desaceleração em relação aos resultados trimestrais apurados em novembro (0,95%) e outubro (0,98%).

 

O IBGE informou ainda que o IPCA-15 de fevereiro apontou alta de 0,94%, ante 0,52% em janeiro. Fatores sazonais tiveram forte impacto nos números. Os preços do grupo Educação subiram 4,55% e responderam por uma carga de 0,32 ponto porcentual do IPCA-15. A alta dos alimentos, em função das fortes chuvas, foi de 0,98%, de uma variação de 0,81% em

janeiro. O mercado ainda se debruça sobre os dados para calcular a abrangência dos aumentos.

 

"O mercado de juros já abriu colocando as taxas dos DIs mais curtos para baixo. Mas o prêmio de 0,30 ponto porcentual para uma suposta alta da Selic em março pode trazer novos compradores de taxas, que estão em busca de oportunidades para entrar", comentou um operador de uma corretora internacional. Segundo ele, vários investidores foram pegos de surpresa pela alta das taxas dos DIs curtos e médios observadas ontem e, por isso, eles podem ser aguçados pela queda dos prêmios nos contratos de vencimentos mais curtos.

 

A inflação mensurada pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), por sua vez, perdeu força e pode ajudar nos ajustes dos DIs para baixo. O índice subiu 0,84% até a quadrissemana finalizada em 22 de fevereiro, uma taxa menor que a apurada no IPC-S imediatamente anterior, de até 15 de fevereiro (1,04%).

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