Juros sobem com cenário externo e inflação maior

Novamente o cenário externo dá as cartas hoje e torna nervosa a abertura dos mercados no Brasil. O dólar cai forte no mercado de moedas; as bolsas cedem na Europa, com destaque negativo para as mineradoras; e os futuros das bolsas em Nova York também recuam. Aqui, no GTS, pregão eletrônico da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o juro do contrato de depósito interfinanceiro (DI) de janeiro de 2008 já bateu a máxima de 14,84%, recuando depois para 14,80%, um patamar ainda alto em relação ao fechamento de ontem (14,77%) e ajuste para abertura do dia (14,75%). A primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de maio, em 0,21%, superou em muito o teto das expectativas do mercado, que variavam de zero a 0,15% (mediana em 0,09%). É certo que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril, divulgado anteontem, já tinha sinalizado um resultado mais salgado para o IGP-M de hoje, mas nem todos os analistas de instituições financeiras chegaram a corrigir suas previsões. Mesmo com essa ressalva, o índice divulgado hoje cedo agrega desconforto aos negócios. O Índice de Preços no Atacado (IPA), que representa 60% do total do IGP-M, subiu 0,17%, ante deflação de 0,69% na primeira prévia de abril; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% no IGP-M, registrou aumento de 0,22%, ante elevação de 0,03% em igual prévia em abril; o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), que corresponde a 10% do total do IGP-M, teve alta de 0,45% na primeira prévia de maio, ante aumento de 0,14% na primeira de abril. A disparada dos preços dos metais nos mercados internacionais, que já teve algum reflexo no IGI-DI de abril, aparece também no IGP-M e leva os mercados a aumentarem as expectativas para a inflação norte-americana e a recearem nova alta no juro básico dos EUA. Tudo isso traz efeito direto aos negócios aqui.

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