Juros sobem em ajuste à política monetária dos EUA

O mercado de juros continua, esta manhã, fazendo ajustes para cima, na esteira do comunicado de ontem do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc)e na continuidade da cautela dos investidores com a mudança no Ministério da Fazenda. O primeiro comunicado de política monetária do Fomc sob a gestão de Ben Bernanke veio com uma visão mais positiva sobre o crescimento econômico dos Estados Unidos e preocupação com a alta dos preços de outras commodities - e não apenas energia. Isso derrubou Wall Street ontem e levou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) junto, enquanto juros e dólar reagiram mais no pregão eletrônico, após o fechamento do viva-voz. Mas, durante todo o dia de ontem, estrangeiros reduziram posições mais expostas a Brasil, comprando dólar e vendendo índice futuro, disseram operadores locais. Hoje, há uma continuação deste movimento. Porém, o ambiente está mais calmo no exterior, o mercado da dívida brasileira é comprador lá fora e, aqui, os juros futuros podem melhorar um pouco depois de concluída a redução de posições em curso. O desconforto com Guido Mantega na Fazenda chegou a ser atenuado, mas não dissipado. Ajudou os investidores o fato de estar garantida a permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central, agora reportando-se diretamente ao presidente Lula. Ao longo do dia de ontem, o mercado quase que cobrava uma declaração de Meirelles nesse sentido ou do Palácio do Planalto. Amanhã tem reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), considerada como emblemática por alguns analistas, por conta do peso do voto do novo ministro da Fazenda. Mantega disse ontem que mudou de cargo, mas não de opinião sobre a taxa de juros de longo prazo (TJLP) - em entrevistas anteriores, ele se posicionara a favor de taxa a 7% (atualmente a TJLP é de 9%). O mercado vai continuar monitorando Mantega, para ver se suas ações serão condizentes com seu atual discurso, mais conciliador em relação à política econômica e mesmo em relação aos juros. "Qualquer mudança de direção vai soar muito mal", resumiu um operador. Amanhã tem também o relatório trimestral de inflação do BC, que deveria ser divulgado hoje, mas foi adiado. Às 10h15, a projeção do contrato de depósito interfinanceiro (DI) na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) com vencimento para janeiro de 2008 (o mais líquido) estava em 15,01%, ante fechamento ontem a 14,96%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.