Juros sobem no fim do pregão, após sinais na ata do Fed

Taxas avançaram para as máximas do dia, depois de o Federal Reserve indicar que pode adotar medidas para estimular a economia dos EUA

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

22 de agosto de 2012 | 17h13

Em um dia de agenda relativamente cheia, os investidores ficaram sem motivos para mudar os preços refletidos pelas taxas futuras de juros durante boa parte do pregão. Na última hora de negócios, porém, à medida que a aversão ao risco foi diminuindo em virtude das sinalizações do Federal Reserve, houve um avanço das taxas, que terminaram nas máximas desta quarta-feira.

Na ata divulgada às 15 horas (horário de Brasília), a autoridade monetária dos Estados Unidos afirmou que novas medidas de estímulo serão necessárias em breve, a não ser que a economia mostre um crescimento mais forte. Antes do anúncio nos EUA, o pessimismo que preponderou na Europa anulou a aceleração do IPCA-15. A inflação quinzenal foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início da manhã.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (148.825 contratos) estava em 7,31%, nivelado ao ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (217.615 contratos) marcava 7,93%, de 7,89% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (94.070 contratos) subia para 9,38%, de 9,30% na terça-feira, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 3.340 contratos, avançava para 9,99%, de 9,91% no ajuste.

O IPCA-15 de 0,39% em agosto ficou um pouco acima da mediana das estimativas do AE Projeções, de 0,37%, e representou avanço ante a taxa de 0,33% em julho. Segundo o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) em agosto preocupa mais pelas medidas de núcleo do que pelo indicador fechado. Ele cita que a variação dos núcleos do IPCA-15 teve média de 0,44%. "Esta taxa quando anualizada chega a 5,4%", afirma Serrano.

O que mudou mesmo o rumo do mercado de juros no fim do pregão foi a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve. As bolsas norte-americanas, que caíam até o meio da tarde, reduziram as perdas, ao passo que a Bovespa migrou para o terreno positivo.

Segundo o documento do Fed, "muitos membros julgaram que uma acomodação monetária adicional provavelmente será justificável muito em breve, a não ser que as informações a serem divulgadas apontem para um fortalecimento substancial e sustentável no ritmo da recuperação econômica", diz a ata do Fed.

Os dirigentes do Fed também discutiram outras ferramentas que poderiam ser usadas para estimular a economia, entre elas a extensão do período de tempo no qual as taxas de juro de curto prazo deverão permanecer próximas de zero. Desde janeiro, o Fed vem dizendo que planeja manter as taxas de juro de curto prazo em "níveis excepcionalmente baixos" pelo menos até o fim de 2014.

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