Juros sobem por Fed e IGP-M

Na primeira oportunidade do mercado de juros local de reagir à medida do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de normalizar a política monetária do país, diante da melhora das condições de crédito, os juros futuros abriram em alta. Ontem à noite, após o fechamento do mercado acionário de Wall Street, o Fed elevou a taxa de redesconto em 0,25 ponto porcentual, para 0,75%. Além da medida do Fed, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) agrega mais um fator de pressão. Com estes dois fatores, os agentes podem colocar mais apostas na expectativa de que o Banco Central (BC) eleve a Selic (a taxa básica de juros brasileira) em março.

Patricia Lara, da Agência Estado,

19 de fevereiro de 2010 | 10h56

 

A partir de hoje, a taxa de crédito primário para os bancos comerciais junto ao Fed - conhecida como a taxa de redesconto - passa de 0,50% para 0,75%. A mudança já tinha sido sinalizada pela ata do último encontro do Comitê de Política Monetária do Fed, mas o momento de execução da medida trouxe surpresa. O anúncio da alteração ocorreu fora de um encontro normal do Fed e isso deve alterar as expectativas dos agentes sobre quando o Fed elevará a taxa dos Fed Funds. Enquanto o mercado ajusta-se às medidas do Fed, a mudança atesta que há uma melhora nas condições de crédito nos EUA.

 

"Embora o Fed tenha ressaltado que isso não altera a perspectiva de manutenção da taxa básica por um longo tempo, a ação altera a perspectiva do mercado em relação à expectativa de alta dos Fed Funds. Continuo com a expectativa de alta dos Fed Funds só para o último trimestre. Mas o mercado começa a pensar no terceiro trimestre", observou Luciano Rostagno, analista

econômico da CM Capital Markets CCTVM. Para ele, o impacto de alta tende a ser mais sensível nos contratos com prazos mais curtos, o que motivará um abrandamento da inclinação positiva da curva.

 

No entanto, há uma corrente que não vê um impacto significativo da mudança na curva de juros local. "Podemos sentir mais no mercado de câmbio, na esteira do fortalecimento global do dólar e, talvez por aí, alguma pressão para cima nos juros", comentou Alexandre Schwartsman, economista do Santander. "De qualquer forma, o Fed não apenas foi claro em sua nota

(que isto não significa aperto monetário), mas o próprio Bernanke (na apresentação que deveria ter feito no dia 10 e não pôde, por conta da nevasca)", ponderou.

 

O trecho no qual se refere o analista é o que sinalizou que o "Fed consideraria aumentar o spread da taxa de redesconto e a meta para a taxa dos Fed Funds. Essas mudanças devem ser vistas como uma normalização adicional das facilidades de empréstimos do Fed, à luz das condições melhores dos mercados; elas não devem levar a um aperto das condições

financeiras para as famílias e empresas e não deveriam ser interpretadas como um sinal de que qualquer mudança da perspectiva monetária".

 

"O mercado de pré está totalmente pautado pela dinâmica interna de demanda e inflação e já precifica 50% de chance de alta da Selic em março", observou um economista da mesa de renda fixa de um banco estrangeiro. No entanto, essa fonte destaca que o IGP-M corrobora o acréscimo de prêmios para uma alta da Selic em março.

 

Na segunda prévia de fevereiro, o IGP-M subiu 1,10%, após avançar 0,51% em igual prévia de janeiro, segundo divulgou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou no teto das estimativas dos analistas, que esperavam uma elevação entre 0,80% e 1,10%.

 

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